Uma criança pode saber o que é uma ação, acompanhar a rentabilidade de um investimento e até comemorar quando sua carteira se valoriza.

Ainda assim, talvez não tenha aprendido a principal lição da educação financeira. Muitos pais acreditam que estão preparando os filhos para o futuro quando abrem uma conta de investimentos em seu nome. A intenção parece nobre, mas começa justamente pela última etapa do processo.

Ter investimentos é a consequência de uma boa educação financeira, não o seu ponto de partida. Antes de decidir onde aplicar o dinheiro, qualquer pessoa precisa aprender a administrá-lo para ter o que investir. Essa é a habilidade que muitos adultos buscam desenvolver e poucos conseguem de forma eficiente, pois não aprenderam.

Antes de existir um investimento, existe uma sequência de escolhas muito mais importante. É preciso ganhar dinheiro, controlar os gastos, estabelecer prioridades, resistir a impulsos de consumo, ou entender se vale financiar uma despesa. Os investimentos apenas potencializam os resultados de quem aprendeu a percorrer estas etapas anteriores com disciplina.

É justamente nesse ponto que a educação financeira infantil costuma ser mal compreendida. Enquanto a criança ainda não produz sua própria renda, ela também não experimenta o principal esforço envolvido na construção de patrimônio: adiar consumo. Quem faz essa escolha continua sendo os pais. São eles que trabalham, escolhem onde gastar, poupam e constroem a reserva que, muitas vezes, aparece na conta da criança, mas que não foi resultado de uma decisão dela.