Numa quinta-feira, Bolsonaro abre uma live nas redes sociais. Com a bandeira do Brasil ao fundo e capacetes de motocicleta em uma bancada à direita, ele veste a camiseta de um time de futebol da série C. Diz ser perseguido, afirma que é uma ameaça ao sistema e acusa a mídia de publicar fake news. Dessa vez, não se trata de Jair, mas de Flávio, pré-candidato à Presidência da República.

Nas últimas três semanas, Flávio Bolsonaro (PL) tem reforçado sua identidade como herdeiro político do pai, emulando signos presentes na estética e no discurso do ex-presidente, que o ungiu como seu sucessor.

A estratégia se intensifica em um contexto de isolamento, diante das dificuldades em atrair partidos do centrão para seu arco de alianças e da série de notícias negativas que atingiram a pré-campanha, como os laços com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o atrito público com a madrasta Michelle Bolsonaro (PL).

Em transmissão ao vivo no último dia 23, Flávio reproduziu explicitamente uma característica marcante das lives do pai ao ler manchetes de jornal. "Vou fazer como o presidente Bolsonaro fazia, aqui, e mostrar algumas matérias para vocês, absurdas. Eu tenho que atrair alguns assuntos aqui, porque na grande mídia você não ouve", disse.