Lydia Davis está preocupada com o quanto a inteligência artificial suga os recursos do mundo e "arruína paisagens inteiras" com seus enormes "data centers". Mas se preocupa ainda mais com o quanto ela está devorando o processo criativo de seus pupilos.
"Não acho que vale o sacrifício", diz a autora americana, professora emérita da Universidade do Estado de Nova York em Albany, logo antes de aliviar o tom com uma brincadeira. "Francamente, não tenho certeza de que temos que saber tanta coisa assim."
O problema não é bem a IA nem a internet —Davis lembra que desde a invenção da televisão o discurso geral e a articulação de ideias têm se tornado mais uniformes—, mas o fato de que hoje estamos "quase sendo treinados para ter déficit de atenção".
"Recomendo aos meus alunos que tirem longas férias do celular, e alguns acham quase impossível ficar sozinhos com os próprios pensamentos. A concentração é fundamental para escrever, e estamos sendo privados dela."
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