Menos de uma década após a reforma da Previdência de 2019, o Brasil já precisa discutir uma nova rodada de mudanças. Não se trata de opção ideológica nem de mera preocupação fiscal.

A combinação entre envelhecimento acelerado da população e deterioração da base de financiamento torna o modelo atual cada vez mais difícil de sustentar.

Estudos recentes de especialistas do Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) e do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) oferecem diagnóstico consistente e um conjunto de propostas que merece amplo debate. Embora várias delas sejam controversas e impopulares, o problema que procuram enfrentar não pode ser ignorado.

Segundo projeções do IBGE, a população com 60 anos ou mais deverá passar de 35 milhões em 2025 para 75 milhões em 2070. Apenas no Regime Geral de Previdência Social serão acrescentados 32,5 milhões de beneficiários nas próximas três décadas.

As despesas do INSS, hoje equivalentes a cerca de 8,3% do PIB, poderão superar 16% até o fim do século. O déficit do regime geral, de 2,5% do PIB em 2026, deve ultrapassar 10% em 2100.