Ex-primeira-dama deve ter o irmão Diego Torres como suplente na chapa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente do PL, Valdemar Costa Neto — Foto: Divulgação/Grupo Esfera O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta sexta-feira que Michelle Bolsonaro consultará o ex-presidente Jair Bolsonaro antes de decidir se disputará uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. Após se reunir com a ex-primeira-dama em uma cafeteria em Brasília, o dirigente disse que a definição deverá ocorrer até domingo, quando Michelle participará da convenção estadual da legenda. Segundo Valdemar, Michelle disse que pretende discutir a candidatura com o marido porque uma eventual campanha terá de ser conciliada com os cuidados dedicados a Bolsonaro. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária, e a ex-primeira-dama reduziu sua agenda política nos últimos meses para permanecer ao lado dele. — Falei com a presidente Michelle se ela é candidata ou não. Ela falou que vai resolver com o marido dela. Então, vai decidir isso provavelmente até domingo. Quem vai decidir é o Bolsonaro, se ela sai candidata ou não. Ela estava com ele, cuidando dele, e tem esse problema pela frente. É muito difícil fazer campanha — afirmou Valdemar. Apesar da cautela adotada publicamente, nos bastidores a direção do PL já trabalha com a expectativa de que Michelle confirme a candidatura ao Senado. A previsão é que o anúncio seja feito no domingo, durante a convenção do partido no Distrito Federal. A composição da chapa também está encaminhada: o irmão da ex-primeira-dama, Diego Torres Dourado, deverá ser seu primeiro suplente. Michelle estará na convenção do PL no Distrito Federal, marcada para domingo. A expectativa da direção partidária é que ela chegue ao evento com a candidatura acertada e faça ali o anúncio de sua entrada na disputa. — Ela me disse que vai conversar com ele e que vai ter essa decisão até domingo — disse Valdemar. A manifestação pública do presidente do PL mantém formalmente por mais dois dias uma indefinição que se arrasta há meses e condicionou a montagem da chapa do partido no Distrito Federal. Confirmada a candidatura, Michelle ocupará uma das duas vagas ao Senado na aliança que apoia a governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição. A deputada Bia Kicis (PL-DF) disputará a outra cadeira. O senador Izalci Lucas (PL-DF), que inicialmente pretendia disputar o governo e depois passou a ser tratado como uma alternativa ao Senado caso Michelle não concorresse, decidiu na semana passada deixar a disputa majoritária e buscar uma vaga na Câmara dos Deputados. Seu entorno avaliava que já não havia mais espaço para esperar até a convenção por uma decisão da ex-primeira-dama. Embora Michelle ainda condicione publicamente a candidatura à conversa com Bolsonaro, aliados já discutem o formato de sua campanha. A tendência é que ela tenha uma rotina bastante diferente daquela que cumpriu nos últimos anos à frente do PL Mulher. Em vez de uma agenda intensa de viagens, deverá privilegiar compromissos curtos e selecionados, sobretudo em Brasília, e concentrar parte importante da mobilização nas redes sociais. Pessoas próximas afirmam que o planejamento busca permitir que Michelle permaneça poucas horas fora de casa e concilie a campanha com os cuidados ao marido. A candidatura também abre uma nova etapa na relação de Michelle com a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Depois da crise pública entre os dois, dirigentes do PL esperam que a convenção de domingo represente mais um gesto de reaproximação. Flávio pediu desculpas publicamente à ex-primeira-dama e fez um apelo para que ela se engajasse em sua candidatura ao Planalto. A direção do partido considera Michelle um ativo especialmente importante para tentar reduzir a resistência a Flávio entre as mulheres. Na conversa desta sexta-feira, Valdemar afirmou ainda que Michelle não pretende reassumir a presidência nacional do PL Mulher. Ela deixou o comando da ala feminina para reduzir a rotina de viagens e se dedicar a Bolsonaro. Segundo o dirigente, não haverá uma nova presidente nacional por enquanto. Ana Munhoz ficará responsável pela interlocução com as presidentes estaduais. — Ela não quer voltar para a presidência. Vamos conversar esse assunto só depois da eleição — afirmou. Valdemar também projetou que o PL elegerá 28 senadores neste ano, além dos oito parlamentares da legenda que ainda terão quatro anos de mandato a partir da próxima legislatura.