Expectativa é que ex-primeira-dama compareça à reunião do partido no Distrito Federal, onde pode anunciar candidatura ao Senado Presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em reunião do partido, em Brasília — Foto: Beto Barata/PL Apesar do empenho pessoal do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, não deu certo a estratégia de tentar reconciliar o presidenciável da legenda, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ela já sinalizou que não comparecerá à convenção nacional da sigla, no dia 25 de julho, que vai sacramentar a candidatura de Flávio à Presidência. Contudo, Michelle é esperada na convenção do partido no Distrito Federal (DF), no dia 5 de agosto, onde continua alta a expectativa de que ela anuncie a sua candidatura ao Senado. Leia mais Um aliado de Michelle ponderou ao Valor que ela não comparecerá à convenção nacional do PL porque o ato ocorrerá em São Paulo, e ela não poderá viajar, já que tem se dedicado, quase integralmente, aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que continua em regime de prisão domiciliar, e com a saúde debilitada. A mesma fonte ressalvou que participar da convenção do PL-DF seria mais fácil, por ser em Brasília. Mas este aliado não confirmou se Michelle decidiu concorrer ao Senado. No dia 8 de julho, Valdemar disse que trabalharia a aproximação de Flávio e Michelle, porque desejava vê-los lado a lado na convenção. “Não podemos sair brigando dentro de casa, temos que acertar isso aí em 20 dias, porque a nossa convenção nacional vai ser dia 25, então, temos que ajustar isso aí até lá”, afirmou, há duas semanas. A indefinição de Michelle atrasou a formação da chapa do PL no Distrito Federal. O partido deve apoiar a reeleição da governadora Celina Leão (PP), uma das amigas mais próximas da ex-primeira-dama, e poderá indicar um ou dois nomes para as duas vagas da chapa ao Senado. Se Michelle decidir não disputar, estão no páreo o senador Izalci Lucas (PL-DF), que poderá tentar a reeleição, e a deputada Bia Kicis (PL-DF), que já está em pré-campanha. Izalci também cogita concorrer ao governo, mas a se confirmar o apoio do PL a Celina, esse projeto ficaria inviabilizado. Apesar dos esforços do dirigente nacional e de outros quadros do PL, o senador e a ex-presidente do PL Mulher continuam afastados. O rompimento deu-se com a publicação nas redes sociais, em junho, de um vídeo em que a ex-primeira-dama, em tom de desabafo, acusou o enteado de destratá-la e de humilhá-la, alegando que ela não entenderia nada de política. O pano de fundo foi a insatisfação dela com a construção de palanques, em especial, no Ceará, onde ela discordou da aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), e, também, não conseguiu emplacar em uma das vagas ao Senado a candidatura de sua aliada, a deputada Priscila Costa (PL-CE). Mas uma liderança do PL ponderou que Michelle foi contemplada em outros Estados, como Santa Catarina, com a pré-candidatura da deputada Caroline de Toni (PL-SC) ao Senado. Ela tomou a vaga que seria do senador Esperidião Amin (PP-SC), que buscará a reeleição. Flávio fez gestos pela conciliação. No dia 25, divulgou um vídeo, pedindo desculpas a Michelle. Em 1 de julho, afirmou, em encontro com mulheres conservadoras, que respeita a ex-primeira-dama e o trabalho que ela realizou no PL Mulher. “Ela vai caminhar junto com a gente porque sabe que o Brasil não suporta mais quatro anos de PT", declarou. O episódio dividiu a militância do PL. Uma parte acusou-a de trair o projeto do ex-presidente, que escolheu o filho para representá-lo nas urnas. Mas outra apoiou Michelle, que manteve sua liderança entre mulheres e evangélicos.