Os pets têm a capacidade de aliviar a ansiedade, reduzir a percepção da dor física e emocional e desenvolver ou manter habilidades cognitivas ativas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ter um pet faz bem — Foto: Magnific Oscar Wilde costumava dizer que, ao passar tempo com os animais, corremos o risco de nos tornarmos pessoas melhores. Há milhares de anos, eles desempenham um papel central na vida dos seres humanos. Primeiro na natureza e, depois, na agricultura, os animais foram importantes para a produção de alimentos, o transporte e como parte de práticas culturais e religiosas. Ter animais de estimação não é algo novo nem uma prática atribuída principalmente ao mundo Ocidental. Há ampla evidência da popularidade dos animais de estimação no antigo Egito, na Grécia e em Roma, além de registros que mostram que cães e gatos eram frequentemente mantidos como animais de estimação nos lares imperiais da China e do Japão. Uma ciência ainda jovem — A antrozoologia, o estudo das interações entre seres humanos e animais (HAI, na sigla em inglês), é uma disciplina relativamente jovem — diz James A. Serpell, professor emérito de Ética e Bem-Estar Animal da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia. Pesquisador da área desde 1979, ele afirma que "a antrozoologia vive uma adolescência produtiva, respaldada por um número crescente de pesquisas originais". Não é uma tarefa simples. Comparações entre donos de animais e pessoas que não têm bichos de estimação inevitavelmente levantam o problema da causalidade. — Por isso, é difícil estabelecer estudos empíricos para demonstrar o valor de ter um animal de estimação ou das intervenções assistidas por animais utilizando métodos tradicionais de pesquisa — prossegue Serpell. No entanto, uma parceria entre a Waltham e o Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano Eunice Kennedy Shriver, dos Estados Unidos, começa a apresentar seus primeiros resultados. Famílias com crianças representam aproximadamente 40% de todos os donos de animais de estimação nos Estados Unidos, e os animais aparecem com destaque em brinquedos, livros, jogos, filmes e programas de televisão destinados às crianças. — Os gatos oferecem alguns atributos interessantes para as crianças. São mais tranquilos e podem funcionar muito bem diante de quadros de hiperatividade. Os cães, por outro lado, podem estimular o gasto de energia física e oferecer companhia ativa aos mais solitários — afirma Marie A. Moore, professora de Ética Humana e Bem-Estar Animal e diretora do Centro de Interação entre Animais e a Sociedade da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia. Ela é coautora de Serpell na pesquisa. A rainha Mab Manuel conheceu Hortênsia no fim da adolescência. Eles se casaram jovens e tiveram três filhos. Depois de 52 anos de casamento e 11 netos, ele adoeceu e morreu. Depois de tantos anos, ela se viu sozinha. Uma andaluza forte e cabeça-dura, não quis ir morar com nenhum dos filhos, não aceitou muita ajuda, mas seus olhos haviam perdido o brilho. Lupe, sua filha mais velha, a via se apagar aos poucos. Ela estava lúcida e com boa saúde... era o ânimo que diminuía. Foi então que chegou Mab, uma cadela de raça indefinida, resultado dos cruzamentos feitos ao longo do tempo e das aventuras de seus antepassados, inspirada na lenda da rainha que tinha esse nome: aquela que aparece à noite para realizar os sonhos dos que dormem. — Minha mãe mudou completamente de vida. Quando éramos crianças, nunca tivemos um animal em casa. De repente, nessa altura da vida, ela se viu aprendendo coisas novas: mudando sua rotina, escolhendo um veterinário, educando uma garota tão rebelde quanto ela — conta Lupe, professora de literatura e responsável pelo nome do animal. Hortênsia tornou-se especialista na alimentação de Mab e ensinou a todos a importância de equilibrar alimentos úmidos e secos, encontrar a comida ideal de acordo com a idade e, certa vez, até apareceu com a terminologia científica de determinados ingredientes. Para Hortênsia, Mab significou encontrar um novo motivo para se levantar todos os dias, um compromisso que preenchia a rotina com atividades importantes. Um estudo da Universidade da Flórida publicado no Journal of Aging and Health confirmou que pessoas com mais de 65 anos que tiveram animais de estimação por mais de cinco anos apresentaram um atraso no declínio cognitivo. Já uma pesquisa liderada por Erika Friedmann e Nancy Gee, da Universidade de Maryland, publicada na revista Scientific Reports, chegou a uma conclusão semelhante: ter um animal de estimação e levar o cachorro para passear contribui para a manutenção da função cognitiva durante o envelhecimento. — Psicólogos e psiquiatras sabem há muito tempo que, em situações de depressão, ansiedade ou angústia e em casos não tão graves de problemas de saúde mental, cuidar de outra pessoa ou de outro ser vivo ajuda no processo de recuperação do bem-estar — afirma Nancy Gee, uma das autoras do estudo e pesquisadora do Departamento de Psiquiatria do Centro de Interação Humano-Animal da Faculdade de Medicina da Universidade da Virgínia. — Uma das maiores dificuldades das pessoas mais velhas é deixar de ter responsabilidades. Elas começam a sentir que não contribuem e que seu patrimônio de experiência e conhecimento já não é útil. Quando um animal de estimação passa a depender delas, essa equação muda e alguns parâmetros se reorganizam, permitindo inclusive que voltem a socializar ou que o façam melhor. De fato, Hortênsia criou um grupo de amigas "da praça", como ela mesma chama. Todos os dias, às 11h, elas se encontram com outros donos de cães de diferentes idades — nem todos são idosos — e deixam os animais brincarem durante uma hora no espaço destinado aos cães, enquanto conversam, bebem ou comem alguma coisa. Depois, todos juntos, animais e pessoas, dão algumas voltas pelo parque que reúne o grupo. Um vínculo inseparável Estudos mostram que os animais podem atuar como amortecedores do estresse entre as crianças, aliviar a angústia associada a diferentes experiências e reduzir a percepção da dor física e emocional. Além disso, um cachorro pode estimular estilos de vida mais saudáveis e ativos, reduzindo o tempo de exposição às telas. — Em uma pesquisa recente, perguntamos tanto às crianças quanto aos pais sobre os animais de estimação. Eles os descreveram como membros da família e, em geral, as crianças se referiam a eles como seus melhores amigos — confirma Serpell. Outra pesquisa revelou que 75% das crianças participantes, entre 10 e 14 anos, procuravam a companhia de seus animais de estimação quando estavam tristes. Uma pesquisa realizada no Reino Unido mostrou que, em geral, as crianças classificavam seus animais de estimação acima de algumas relações com outros seres humanos e viam cães e gatos como confidentes e fontes de conforto e apoio. Essas experiências se intensificam diante de situações traumáticas, como a separação dos pais ou a perda de um familiar próximo, e também em contextos terapêuticos. Uma pesquisa realizada por especialistas da Universidade de Queensland mostrou que, entre crianças com autismo, intervenções assistidas por animais contribuíram para melhorias em áreas importantes, como funcionamento social, concentração e atenção, além de reduzir o isolamento e comportamentos estereotipados. — São necessários programas que possam ajudar crianças com transtorno do espectro autista (TEA) — explica Samantha McKenzie, uma das especialistas que participaram do estudo. —Pesquisadores na Austrália estão testando um programa inovador que ensina crianças com TEA a cuidar de animais de estimação e interagir com eles como uma ponte para o desenvolvimento de melhores habilidades de interação com os colegas. O amigo que ajuda a cuidar do coração Devido ao aumento da atividade física e do apoio social associados à convivência com animais, pesquisas sugerem que donos de cães, especialmente aqueles que vivem sozinhos, apresentam melhores resultados após sofrer um evento cardiovascular importante, como um ataque cardíaco ou um acidente vascular cerebral (AVC). A Associação Americana do Coração afirma que ter animais de estimação, especialmente cães, pode estar associado a um menor risco de doença cardiovascular. Entre os idosos, um vínculo forte entre animais de estimação e seus donos está associado a níveis menores de solidão e isolamento social.
Ter um animal de estimação pode reduzir a percepção da dor física e emocional, segundo especialistas
Os pets têm a capacidade de aliviar a ansiedade, reduzir a percepção da dor física e emocional e desenvolver ou manter habilidades cognitivas ativas









