MP pediu o desmembramento do caso para investigadores apurarem se houve participação ou conivência de parente de Maria Clotilde 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Casal de idosos morto a facadas por diarista em apartamento em BH — Foto: Reprodução Um primo de Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, que foi morta aos 76 anos em um apartamento de alto padrão em Belo Horizonte (MG), será investigado pelo crime. O marido da empresária, o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, também foi assassinado em 29 de junho por Paola Stefany Neto Cirino, diarista indicada pelo parente da mulher. Segundo o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), esse primo recebeu uma ligação de Paola durante o crime. A diarista teria informado ao homem que Maria Clotilde estava passando mal, mas ele não teria adotado qualquer providência. Conforme a denúncia, Paola ligou para o advogado enquanto ainda estava no apartamento de Maria Clotilde. O próprio primo confirmou a ocorrência do telefonema em depoimento à polícia. O MPMG apontou contradições no caso e pediu o desmembramento do processo em relação ao primo, cujo nome não foi divulgado, para que os investigadores apurassem se houve participação ou conivência dele no crime. Em 13 de julho, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito que investigou o caso. As vítimas foram dopadas e mortas a facadas, segundo as investigações, por Paola, que acabou indiciada por latrocínio (roubo seguido de morte). Outras quatro pessoas que adquiriram os bens roubados pela diarista foram apontadas como autoras do crime de receptação. A investigação também descobriu que Paola teria, anteriormente, dopado outros quatro clientes com intuito de roubá-los. De acordo com as investigações conduzidas pela 2ª Delegacia Especializada em Investigação e Repressão ao Furto e Roubo, os compradores dos itens dos idosos procuraram voluntariamente a PCMG, acompanhados de advogados, alegando desconhecer a origem dos itens e os devolveram. Segundo a Polícia, eles “poderão ter a pena reduzida por arrependimento posterior, conforme previsto no art. 16 do Código Penal”. Paola já teria ido à residência dos idosos com a intenção de cometer o crime. “Segundo apurado, a suspeita tem histórico de praticar roubos utilizando medicamentos que produzem efeitos sedativos para reduzir a capacidade de resistência das vítimas – método também utilizado contra o casal de idosos, além da violência física”, pontua a PCMG. A diarista foi presa pela Polícia Civil no dia 2 de julho, em Itabira, região central de Minas Gerais. Ela estava em um hotel com o filho, uma criança. Segundo a Polícia, Paola pretendia fugir para o Rio Grande do Sul. A defesa da diarista passou a defender a instauração de um “incidente de insanidade mental”. Segundo o advogado da diarista, Bruno Corrêa, Paola tem apresentado “confusão mental, lapsos de memória e pensamentos suicidas”. Durante a ação, os policiais arrecadaram R$ 18,8 mil em dinheiro, 14 relógios, celulares, jóias, semijoias, bolsas, oito frascos de perfumes, 11,2 gramas de ouro fundido, dois pares de tênis, dois casacos, óculos, roupas e uma faca. Também foram apreendidos 165 comprimidos do medicamento que produz efeito sedativo com Paola. “Os corpos apresentavam lesões produzidas por instrumento perfurocortante e sinais de defesa. Também foi observada uma gaveta violada no quarto do casal, além da ausência de telefones e de diversos bens. A inexistência de arrombamento na entrada, associada ao controle de acesso ao edifício por senha ou liberação de morador, direcionou a investigação para pessoas admitidas voluntariamente no imóvel”, diz a PCMG em nota. Segundo a PCMG, Paola teria dopado outros quatro clientes da mesma forma que fez com os idosos, com intuito de roubá-los. “No decorrer das investigações, outras pessoas compareceram ao Depatri informando que também teriam sido vítimas da suspeita. Foram contabilizados outros quatro crimes, praticados com o mesmo modo de agir, ou seja, dopando clientes. Parte dos itens subtraídos de um casal foram recuperados na casa da investigada e restituídos”.