A repercussão do visual reacendeu conversas sobre como determinadas peças ainda carregam significados diferentes quando usadas por homens 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Juliano Floss aparece de lingerie e reação nas redes levanta discussão sobre masculinidade — Foto: Reprodução Instagram A aparição de Juliano Floss usando uma cueca branca de renda à mostra colocou a expressão "hétero de calcinha" no centro das conversas nas redes sociais. A imagem gerou elogios, brincadeiras e questionamentos sobre sua sexualidade, reacendendo um debate sobre como determinadas peças de roupa ainda são associadas a gênero e comportamento. A repercussão expôs uma relação ainda comum entre vestuário e expectativas sobre masculinidade: a ideia de que homens precisariam seguir códigos específicos para serem reconhecidos como masculinos. Para Eva, sexóloga virtual da plataforma adulta Fatal Fans, esse tipo de reação está ligado à tentativa de atribuir significado à aparência de uma pessoa. "Muitos crescem aprendendo que precisam evitar determinadas roupas, cores e comportamentos para provar que são masculinos. Quando alguém rompe esse padrão, a primeira reação ainda é questionar sua orientação sexual", afirma. Segundo a especialista, uma peça de roupa não determina a sexualidade de quem a usa. A escolha pode estar relacionada à moda, ao conforto, à curiosidade ou até ao prazer, sem estabelecer uma relação direta com a orientação sexual. "Orientação sexual diz respeito a por quem alguém sente atração. Uma peça pode fazer parte da expressão pessoal ou de uma fantasia, mas não determina o desejo de ninguém", explica. Juliano Floss coloca a lingerie masculina em debate após repercussão nas redes — Foto: Reprodução Instagram Em alguns casos, a lingerie pode integrar experiências ligadas à intimidade e ao desejo, desde que dentro de uma escolha consensual. "Alguns homens gostam da textura, da sensação ou justamente de vestir algo que sempre lhes disseram ser proibido. Isso não define identidade de gênero nem orientação sexual", diz Eva. De acordo com a sexóloga, as reações negativas também revelam como referências ao feminino ainda são usadas como forma de desqualificar homens. "Quando chamar alguém de mulher ou de afeminado vira ofensa, o problema não está na peça. Está na ideia de que tudo o que se aproxima do feminino seria inferior ou ameaçaria a masculinidade", analisa. A discussão evidencia o quanto comportamentos masculinos continuam sendo observados e julgados socialmente. "Um homem não deixa de ser hétero porque usa calcinha, maquiagem ou qualquer peça associada às mulheres. O espanto diz muito mais sobre quem julga do que sobre quem decidiu vestir", conclui.