Cientistas conseguiram a primeira evidência molecular direta da varíola trazida por europeus para as Américas, cinco séculos atrás. Eles recuperaram o DNA do vírus da doença dos corpos de duas múmias.
A descoberta foi detalhada em um artigo que saiu nesta quinta-feira (30) na revista Science.
Uma análise dos genomas do vírus presentes nos corpos dessas duas pessoas mostrou que ele pertence a uma linhagem extinta do patógeno, situada evolutivamente entre cepas conhecidas da Europa medieval e aquelas que circularam em séculos posteriores.
Os europeus chegaram às Américas em 1492. Os povos indígenas não tinham exposição prévia à doença e, portanto, nenhuma imunidade natural. O vírus, transmitido por contato de pessoa para pessoa, acabou desencadeando um colapso populacional.
"O primeiro surto documentado de varíola nas Américas ocorreu na ilha de Hispaniola [ou de São Domingos] em 1518, enquanto ela estava sendo colonizada pelos espanhóis", disse o geneticista Bruno Romero González, doutorando no Trinity College Dublin (Irlanda), autor principal do novo estudo. Hoje, essa ilha é dividida entre Haiti e República Dominicana.










