Em julho de 1945, apenas dois meses após o fim da ocupação alemã na Holanda nos estertores da Segunda Guerra Mundial, 175 pinturas de mestres holandeses do século XVII, que haviam passado os anos do conflito protegidas em bunkers, foram apresentadas em uma grande exposição no Rijksmuseum, o museu nacional de arte da Holanda, em Amsterdam.
Quadros de Rembrandt, Vermeer, Frans Hals, Fabritius e Eckhout saíram de esconderijos fortificados direto para a exposição, que ficou conhecida como Reunião de Mestres.
O quadro A Ronda Noturna, de Rembrandt, por exemplo, de 3,63 metros de altura por 4,37 metros de largura, ficou abrigado em uma caverna dentro de uma pedreira em Maastricht, no sul da Holanda, a 33 metros abaixo do solo.
O expediente é bastante revelador da devoção, do comprometimento dos holandeses com as obras-primas de seus pintores clássicos e do temor de que a fúria nazista destruísse parte da cultura do país.
Foram esses grandes artistas holandeses – cujas obras reunidas levaram 165 mil pessoas ao museu em um momento em que a Holanda não tinha sequer comida suficiente para toda a população – que inspiraram o escritor Benjamim Moser a construir a narrativa de O Mundo de Ponta-Cabeça, misto de história cultural e autobiografia.









