Neto do último general-presidente da ditadura e um dos principais porta-vozes do bolsonarismo nos Estados Unidos, onde está foragido da Justiça brasileira, Paulo Figueiredo voltou a atacar as mulheres. Após afirmar que elas não sabem votar, “principalmente as solteiras”, o influencer elogiou a ofensa feita pelo então deputado Jair Bolsonaro à colega Maria do Rosário (PT), em 2014. Na ocasião, o ex-presidente declarou que “não estupraria” a parlamentar porque ela “não merecia” e, em seguida, afirmou que ela era “muito feia”. A declaração de Bolsonaro resultou em condenações na esfera cível, mas Figueiredo classificou a ofensa como “genial”. Em seu sexto mandato na Câmara Federal, Rosário avalia que a fala do blogueiro reforça uma cultura de ódio misógino: “Eles são responsáveis pela bala que chega na cabeça de uma mulher, pela facada. É toda essa cultura”.
CartaCapital: Na sua avaliação, o comentário de Figueiredo é um ataque pessoal ou um sintoma da naturalização da violência contra a mulher?Maria do Rosário: Há muito tempo compreendi que essas violências são dirigidas contra todas as mulheres, principalmente aquelas que lutam e representam essa causa. Lamento mais porque há a citação de um nome, existe um CPF ali no ataque. Mas por que esse pessoal nos ataca? Se fosse outra mulher no meu lugar, muito provavelmente ela também seria alvo. Esse sujeito é o chorume mais deteriorado da política nacional. Sua referência é a ditadura. Ninguém o conheceria, não fosse ele neto do general Figueiredo, aquele que disse que “preferia o cheiro de cavalo ao cheiro do povo”. Provavelmente, esse rapaz prefere o estupro ao respeito às mulheres. Foi assim que entendi quando ele considerou “genial” a frase de Bolsonaro.







