A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, mudou discretamente a forma como coopera com as autoridades em vários países, o que está deixando os investigadores frustrados. De acordo com eles, a empresa dificultou a identificação de golpistas e o combate à lavagem de dinheiro.

A nova política é uma grande mudança para a Binance, que tentara se endireitar depois de enfrentar problemas legais durante anos, trabalhando diretamente com os investigadores para congelar contas suspeitas e compartilhar informações sobre clientes que faziam transações duvidosas.

Mas, em abril do ano passado, a corretora adotou uma política que exige que as autoridades encaminhem certas solicitações a órgãos governamentais estrangeiros, processo demorado e regido por tratados internacionais. Essa regra, bem como a saída em massa de um grupo de funcionários seniores da área de conformidade (compliance), atrapalhou algumas investigações na Europa e gerou preocupações nos Estados Unidos, segundo a apuração do The New York Times.

Líder de um setor global em franca expansão que foi abraçado pelo governo Trump, a Binance movimenta diariamente bilhões de dólares em moedas digitais. No ano passado, o presidente americano reduziu a fiscalização federal sobre as companhias de criptomoedas. Nessa mesma época, a startup desse setor pertencente à família Trump firmou uma parceria comercial com a Binance.