Economia avançou 1,5% no segundo trimestre; gastos das famílias e investimentos em inteligência artificial ajudaram a manter a atividade aquecida, apesar dos efeitos da Guerra no Irã sobre a inflação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Economia dos Estados Unidos desacelerou no segundo trimestre, apesar da força do consumo das famílias e dos investimentos empresariais. — Foto: Bloomberg A economia dos Estados Unidos cresceu menos do que o esperado no segundo trimestre, embora a aceleração do consumo das famílias e a solidez dos investimentos empresariais tenham sinalizado que a atividade continua robusta. O Produto Interno Bruto (PIB), ajustado pela inflação, avançou a uma taxa anualizada de 1,5% nos três meses encerrados em junho, segundo estimativa preliminar divulgada nesta quinta-feira pelo Departamento de Análise Econômica dos Estados Unidos (BEA, na sigla em inglês). O resultado representa uma desaceleração em relação ao início do ano, explicada em parte pelo forte aumento das importações. O consumo das famílias, responsável por cerca de dois terços da atividade econômica americana, cresceu a uma taxa anualizada de 3,2%, acima do esperado. Os investimentos empresariais também mantiveram ritmo forte, impulsionados pela corrida das companhias para ampliar os aportes em inteligência artificial. Demanda interna mostra força Uma medida mais restrita da demanda interna, conhecida como vendas finais a compradores privados domésticos, avançou 3,9% no segundo trimestre, mais que o dobro do ritmo registrado nos três primeiros meses do ano e o maior desde o início de 2023. O indicador exclui exportações líquidas, estoques e gastos do governo. Os números mostram que, até o momento, a economia americana tem conseguido atravessar os efeitos da guerra com o Irã. Embora o conflito tenha pressionado os preços e afetado a confiança, a queda do custo da gasolina no fim do trimestre, somada a restituições de impostos maiores que o habitual e a promoções no comércio, ajudou a sustentar o consumo das famílias. Dados separados, também divulgados nesta quinta-feira, mostraram que os gastos dos consumidores, descontada a inflação, cresceram 0,4% em junho, igualando o maior avanço desde julho de 2025. Já o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), medida de inflação preferida pelo Federal Reserve (Fed), recuou 0,1% no mês. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, avançou menos do que o previsto. Investimentos em inteligência artificial sustentam atividade Os investimentos empresariais permaneceram como um dos principais motores da economia no segundo trimestre. A forte expansão dos aportes em inteligência artificial continuou desempenhando papel relevante, assim como a demanda por equipamentos industriais e de transporte. Depois de o Fed decidir manter os juros inalterados na quarta-feira, o presidente da instituição, Kevin Warsh, classificou como “impressionante” a resiliência da economia. Segundo ele, porém, a característica “mais marcante” do atual cenário é a força dos investimentos empresariais. Grandes empresas de tecnologia, como Meta e Microsoft, estão acelerando a construção de centros de dados e ampliando os investimentos em inteligência artificial, apesar das dúvidas dos investidores sobre o retorno financeiro desses aportes. Os detalhes do relatório são “consideravelmente mais fortes do que o esperado”, afirmou Stephen Stanley, economista-chefe para os Estados Unidos do Santander US Capital Markets. — Eu não diria que a economia estava funcionando a todo vapor, mas certamente era impulsionada por mais fatores do que apenas o boom da inteligência artificial — disse. Comércio exterior e estoques pesam sobre o PIB As exportações líquidas retiraram 1 ponto percentual do crescimento do PIB no segundo trimestre. O resultado provavelmente refletiu uma combinação de fatores, incluindo os esforços das empresas para antecipar a entrada de mercadorias no país antes de uma nova rodada de tarifas e o ritmo acelerado dos investimentos em bens de capital. A redução dos estoques retirou outros 0,67 ponto percentual do PIB, indicando que muitas empresas recorreram aos produtos armazenados durante a guerra. Famílias ampliam gastos com bens e serviços A força do consumo das famílias foi sustentada principalmente pelos gastos com bens duráveis, como móveis e veículos. No setor de serviços, houve aumento das despesas em categorias discricionárias, como lazer, alimentação fora de casa e hospedagem. O relatório do BEA também mostrou que os investimentos fixos não residenciais cresceram a uma taxa anualizada de 8,4%. Os aportes em equipamentos industriais tiveram a maior alta desde 2011, enquanto os gastos com equipamentos de transporte registraram o avanço mais intenso em dois anos. Os investimentos em equipamentos de tecnologia da informação e softwares também cresceram de forma expressiva, embora em ritmo mais moderado.