Com até 200 admissões por mês, empresas do setor mostram que é possível ganhar agilidade sem abrir mão das decisões que dependem do olhar humano Divulgação — Foto: Divulgação O varejo é um dos setores que mais contratam no Brasil e, ao mesmo tempo, um dos que mais convivem com a rotatividade de profissionais. Com o desemprego no menor patamar dos últimos 14 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), empresas passaram a disputar candidatos não apenas entre si, mas também com plataformas de trabalho por demanda, como aplicativos de transporte e entrega. Nesse cenário, processos seletivos longos ou burocráticos passaram a representar uma perda direta de talentos. Dados do IBM Institute for Business Value indicam que mais de 50% dos candidatos desistem de processos seletivos longos ou complexos, mesmo quando têm interesse na vaga. Para empresas do varejo, onde a reposição rápida de profissionais é essencial para manter a operação das lojas, cada desistência representa impacto direto na produtividade das equipes e na continuidade da operação. A Bacio di Latte, rede de gelato italiano com mais de 200 lojas no Brasil, vivencia esse cenário em uma operação que chega a realizar cerca de 200 contratações por mês. Para a empresa, velocidade e qualidade deixaram de ser objetivos opostos e passaram a fazer parte da mesma estratégia de recrutamento. "Hoje disputamos profissionais não apenas com concorrentes diretos, mas também com empresas de outros setores", afirma Cellita Souza, Diretora de RH da Bacio di Latte. Com a expansão da operação, a empresa precisava sustentar um alto volume de contratações sem perder agilidade. Entre os principais desafios estavam ampliar o alcance das vagas, melhorar a experiência dos candidatos, dar mais autonomia aos gerentes de loja e reduzir a sobrecarga operacional do RH. Antes da digitalização do processo seletivo, etapas que poderiam ser conduzidas diretamente pelas lideranças permaneciam concentradas na equipe de Recursos Humanos, aumentando o tempo de contratação e criando gargalos na operação. Com a adoção do Pandapé, a empresa passou a automatizar etapas iniciais da triagem, centralizar o recrutamento e permitir que gestores acompanhassem diretamente seus processos seletivos. Em menos de um ano, registrou crescimento de 77% na base de currículos, ultrapassou 61 mil candidatos cadastrados, alcançou 176 mil visualizações nas vagas publicadas e elevou sua nota no Infojobs de 4,1 para 4,3. Para Cellita Souza, a tecnologia tem papel importante, mas deve ser aplicada onde realmente gera eficiência. "Buscamos automatizar tudo o que é operacional e repetitivo. Mas as etapas que envolvem avaliação de aderência, interação com a liderança e decisões de contratação continuam dependendo do contato humano." Na Bacio di Latte, outro indicador acompanhado de perto é o turnover durante o período de experiência. Segundo a empresa, uma rotatividade elevada nos primeiros meses costuma indicar falhas no processo seletivo, seja nos critérios adotados, seja no perfil dos candidatos selecionados. "Se a rotatividade é muito alta nos primeiros três meses, alguma coisa precisa mudar", alerta Cellita Souza. Posições de liderança e cargos especializados seguem uma lógica diferente. Nesses casos, acelerar o processo aumenta o risco de erro, e o custo de uma contratação inadequada acaba refletindo em toda a equipe. A executiva da Bacio di Latte é direta sobre o tema: "Quando falamos de posições de liderança, a prioridade não é velocidade, e sim fazer um processo bem conduzido. São contratações em que não vale a pena abrir mão de etapas importantes." O que o varejo tem aprendido, na prática, é que velocidade e qualidade não são variáveis opostas no recrutamento. São variáveis que precisam ser calibradas de acordo com o tipo de vaga, o volume de contratação e o momento da operação. Automatizar o que pode ser automatizado, manter as etapas que dependem de julgamento humano e usar dados para monitorar o desempenho do processo são os pilares que permitem ao setor contratar mais e melhor ao mesmo tempo. Para os profissionais de RH do setor, o recado que vem da prática é claro: processos bem desenhados contratam mais rápido e retém por mais tempo. "Utilizar uma triagem inteligente é o primeiro passo. O processo pode ser mais ágil, mas a qualidade na identificação do candidato certo não pode ser comprometida", conclui Cellita Souza.
Velocidade ou qualidade? O dilema do varejo para contratar
Com até 200 admissões por mês, empresas do setor mostram que é possível ganhar agilidade sem abrir mão das decisões que dependem do olhar humano








