Para analistas, tom de Warsh foi percebido como vago, em alguns momentos mais flexível (“dovish”) e com um certo grau de confortabilidade em estar atrás da curva calculadora contas dividas defict juros investimento — Foto: Pixabay Após a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), ontem, ser recebida negativamente pelo mercado, os investidores ainda digerem os sinais dados pelo presidente da autarquia, Kevin Warsh. As curvas de juros globais mostram uma tendência de inclinação nesta quinta-feira, em um movimento similar ao visto na véspera, mesmo que em menor escala, com a credibilidade de Warsh sendo posta em questão pelos agentes financeiros. O tom de Warsh na última decisão foi percebido como vago, em alguns momentos mais flexível (“dovish”) e com um certo grau de confortabilidade em estar atrás da curva, o que gerou desconforto em um momento em que era esperada uma reafirmação no combate à inflação. A dinâmica leva as taxas dos títulos de curto prazo a recuar com mais força, enquanto os juros longos sofrem maior pressão, com o mercado precificando uma alta da inflação implícita. O rendimento da T-note de 2 anos recuava a 4,262%, de 4,281% do ajuste anterior, próximo às 8h50 (horário de Brasília). A taxa da T-note de 10 anos ia a 4,682%, de 4,684%, e o yield da T-bond de 30 anos subia a 5,213%, de 5,204%, após o forte estresse observado ontem. A taxa do título soberano alemão (bund) de 2 anos recuava a 2,797%, de 2,819%, enquanto os juros do bund de 30 anos subiam a 5,213%, de 5,204%. Na França, o OAT de 2 anos caía a 2,961%, de 2,997%, e o papel com vencimento em 30 anos avançava a 3,974%, de 3,962%. A mesma dinâmica foi vista no mercado asiático. O título soberano japonês (JGB) de 2 anos encerrou próximo da estabilidade, em 1,481%, de 1,478% do ajuste anterior, enquanto a taxa do papel de 30 anos subiu a 3,972%, de 3,936%. Em uma votação dividida, o Fed manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Embora a decisão tenha sido em linha com o esperado, houve uma frustração entre os participantes do mercado com a falta de firmeza de Warsh. Os comentários do presidente levaram a questionamentos sobre sua credibilidade e capacidade de levar a inflação à meta, dissolvendo grande parte da confiança conquistada desde a decisão de junho. Os economistas do Goldman Sachs, liderados por David Mericle, observam que Warsh fez vários comentários de tom dovish ao minimizar as pressões inflacionárias relacionadas à inteligência artificial, ao associar o avanço dos Treasuries desde junho à recente força da economia e ao sugerir, mesmo que sem dizer explicitamente, que a alta das taxas de juros de mercado poderia substituir um aumento oficial dos Fed Funds. “As taxas de juros de curto prazo recuaram no dia, apesar da alta nos preços de energia, enquanto as taxas de longo prazo subiram durante a reunião, impulsionadas pelo aumento da compensação de inflação implícita”, explica a equipe de economistas, liderada por Mericle. O cenário-base do banco segue de uma manutenção pelo Fed até o fim de 2026. O estrategista de juros da BMO Capital, Ian Lyngen, acrescenta que a dinâmica no mercado de juros foi agravada por novas preocupações no Oriente Médio, para além dos questionamentos quanto à credibilidade de Warsh. “A novidade é que o Fed sob a liderança de Warsh não está disposto a elevar as taxas de juros em resposta a esse risco persistente até que esteja convencido de que ocorreu um repasse de custos que vá além de um simples ajuste pontual de preços”, pondera. Outro fator de incômodo, segundo Lyngen, foi a percepção passada por Warsh de que Fed está “se apoiando no fato de que o mercado está promovendo o aperto monetário em seu lugar, mesmo que a taxa oficial de juros permaneça inalterada”. “Resta-nos ponderar sobre o verdadeiro impacto de eliminar o forward guidance e se, no fim das contas, é o mercado quem dita as condições financeiras”, questionou. A curva de juros britânica também mostrava inclinação, embora a dinâmica fosse de queda ao longo de todos os vencimentos, após o banco central da Inglaterra (BoE) também decidir manter as taxas inalteradas, em 3,75% ao ano. O título soberano (gilt) de 2 anos recuava a 4,372%, de 4,463% do ajuste anterior, enquanto o juro do papel de 30 anos caía a 5,721%, de 5,752%.
Curvas de juros globais inclinam com credibilidade de Warsh em questão
Para analistas, tom de Warsh foi percebido como vago, em alguns momentos mais flexível (“dovish”) e com um certo grau de confortabilidade em estar atrás da curva







