Os assassinatos registrados no Brasil caíram pelo quinto ano consecutivo, e no entanto o crime organizado e a percepção de insegurança cresceram e estão no centro do debate público nacional. A melhoria nas estatísticas desse e de outros delitos graves parece ter pouco efeito sobre a preocupação com a violência.

E não há contradição nisso, segundo o sociólogo Daniel Hirata. Hoje assessor especial do Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Lula (PT), ele chama atenção para o que realmente provoca a sensação de vulnerabilidade dos brasileiros: a influência de organizações criminosas sobre grandes territórios urbanos e os crimes patrimoniais, especialmente roubos de celulares, .

Hirata recusa a ideia de que seja possível tratar as mais de 6.000 mortes em intervenções policiais no país como "dano colateral" no enfrentamento à criminalidade. Pelo contrário, ele argumenta que brutalidade e corrupção policial andam juntas e, em muitos casos, favorecem o crescimento das facções narcotraficantes, milícias e outras organizações criminosas.

Ele falou com a Folha por videoconferência.

O Brasil vive uma tendência de queda nas mortes violentas intencionais que já dura oito anos. No entanto, a sensação de insegurança e as facções criminosas estão no centro do debate nacional. Existe um descompasso entre realidade e percepção?