Dor, inchaço e hematomas frequentes podem ser sinais da doença, que costuma ser confundida com excesso de peso ou problemas circulatórios 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Após diagnóstico de Kerline, conheça os sintomas do lipedema que merecem atenção — Foto: Reprodução Instagram Após revelar que foi diagnosticada com lipedema, a ex-BBB Kerline contou que convivia com dores nas pernas, inchaço persistente, hematomas frequentes e dificuldade para praticar alguns exercícios antes de descobrir a doença. O relato chama atenção para sintomas que muitas mulheres ainda confundem com excesso de peso ou problemas circulatórios, mas que podem indicar uma condição crônica capaz de comprometer a mobilidade e a qualidade de vida. Especialistas explicam por que o desconforto costuma se intensificar ao longo do dia e quais cuidados ajudam a controlar o quadro. Segundo o cirurgião plástico Rafael Erthal, os sintomas relatados pela influenciadora são comuns entre pacientes com lipedema. A doença é caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nos membros inferiores, associado a alterações na microcirculação e à maior fragilidade dos pequenos vasos sanguíneos. Uma das principais queixas é a piora da dor e da sensação de peso nas pernas ao longo do dia. Isso acontece porque, com a ação da gravidade, há maior acúmulo de líquido entre as células dos membros inferiores, o que intensifica o desconforto em um tecido que já apresenta alterações provocadas pela doença. "É muito comum que as pacientes relatem aumento da dor, da sensação de peso e do inchaço no fim do expediente. A ação da gravidade favorece esse acúmulo de líquido ao longo do dia, tornando os sintomas mais intensos", explica. Quando a pessoa permanece muitas horas sentada ou em pé, a pressão dentro dos vasos sanguíneos das pernas aumenta naturalmente. Em pessoas sem lipedema, os sistemas venoso e linfático costumam compensar esse processo. Já nas pacientes com a doença, alterações na microcirculação facilitam o extravasamento de líquido para os tecidos, contribuindo para o inchaço e para a maior sensibilidade da região. Esse aumento da pressão local também pode estimular terminações nervosas, fazendo com que áreas já sensíveis se tornem ainda mais dolorosas. Dor, inchaço e hematomas: o diagnóstico de Kerline acende alerta para o lipedema — Foto: Reprodução Instagram Por que surgem hematomas com facilidade? Além da dor, outro sinal frequente do lipedema é o aparecimento de manchas roxas sem que tenha ocorrido um trauma importante. De acordo com Rafael, isso acontece porque o tecido adiposo comprometido pela doença apresenta um processo inflamatório que afeta a estrutura dos pequenos vasos sanguíneos. "O tecido inflamado comprime vasos sanguíneos e linfáticos, altera a sustentação dessas estruturas e favorece a formação de novos vasos, que também são mais frágeis. Como consequência, pequenos impactos do dia a dia podem provocar hematomas", afirma. Na prática, situações simples, como o atrito de uma roupa mais justa, uma coçada na pele ou até o contato com um animal de estimação, podem deixar marcas que dificilmente apareceriam em pessoas sem a doença. Além dos hematomas, muitas pacientes descrevem uma combinação de sintomas que inclui sensação constante de peso nas pernas, maior sensibilidade ao toque, tensão nos tecidos, cansaço desproporcional e dificuldade para permanecer muito tempo em pé. Em alguns casos, até estímulos leves se tornam desconfortáveis, principalmente no fim da tarde. O que ajuda a aliviar os sintomas? Embora o lipedema não tenha cura, o tratamento pode reduzir o impacto da doença e preservar a qualidade de vida. A abordagem costuma ser individualizada e combina diferentes estratégias, como prática regular de atividade física, fortalecimento muscular, acompanhamento nutricional e, quando indicado, terapia compressiva. Outro cuidado importante é evitar permanecer muitas horas na mesma posição. Segundo o especialista, caminhar por alguns minutos ao longo do dia ajuda a ativar a musculatura da panturrilha, que funciona como uma espécie de bomba para favorecer o retorno da circulação venosa e linfática. "Quando a pessoa passa muito tempo parada, esse mecanismo se torna menos eficiente. Pequenas caminhadas ao longo do dia costumam contribuir para aliviar a sensação de peso e reduzir o desconforto", orienta. Nos casos em que o tratamento conservador não é suficiente para controlar a dor ou a limitação funcional, a cirurgia pode ser considerada após avaliação médica. Segundo Rafael, a lipoaspiração indicada para pacientes com lipedema tem como objetivo remover parte do tecido adiposo comprometido pela doença, reduzindo sintomas como dor, sensação de peso e dificuldade para caminhar. A indicação, porém, deve ser feita de forma individualizada. O médico ressalta que a cirurgia não representa o fim do tratamento. Para manter os resultados, é necessário seguir com acompanhamento clínico, controle do peso, fortalecimento muscular e prática regular de exercícios físicos. "O procedimento faz parte de uma estratégia mais ampla. Quando bem indicado, pode melhorar a funcionalidade e a qualidade de vida, mas os cuidados precisam continuar no longo prazo", afirma. Para o especialista, identificar o lipedema precocemente faz diferença no controle da doença. Muitas mulheres convivem durante anos com dor, inchaço e hematomas acreditando que esses sintomas fazem parte do próprio corpo ou estão relacionados apenas ao excesso de peso, quando, na verdade, podem ser sinais de uma condição que merece investigação e tratamento adequado.
Diagnóstico de Kerline chama atenção para sintomas do lipedema que muitas mulheres ignoram
Dor, inchaço e hematomas frequentes podem ser sinais da doença, que costuma ser confundida com excesso de peso ou problemas circulatórios








