A poucos dias do fim do prazo para as convenções, presidenciável resiste a acordos defendidos por aliados nos estados 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, em visita ao quartel-general da Polícia Militar no Rio, em maio — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo A poucos dias do prazo final para as convenções partidárias, que termina em 5 de agosto, a condução das negociações estaduais pelo candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), passou a provocar críticas não apenas dentro do próprio partido, mas também entre dirigentes do Centrão envolvidos nas articulações para ampliar sua coalizão. Aliados afirmam que o presidenciável demora a arbitrar disputas consideradas prioritárias, responde lentamente às demandas dos estados e resiste a acordos negociados pelas lideranças locais justamente nos dois colégios eleitorais considerados estratégicos para sua campanha: Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nos bastidores, dirigentes dizem que decisões importantes seguem à espera de uma posição de Flávio. Um aliado resume o incômodo: "não responde e não participa". A insatisfação também chegou à federação União-PP. Segundo relatos feitos ao GLOBO, um dirigente de uma das legendas afirmou a integrantes da federação que tentou ajudar Flávio nas negociações políticas, mas encontrou dificuldades diante da forma como o senador conduz as conversas. A interlocutores, resumiu a situação dizendo que é "difícil ajudar quem não sabe dialogar". Dirigentes do PP citam como exemplo uma videoconferência realizada há cerca de duas semanas entre Flávio e a deputada Clarissa Tércio (PP-PE), convidada para ser candidata a vice-presidente. A conversa, porém, não avançou porque a direção nacional do partido, comandada pelo senador Ciro Nogueira, já havia decidido que não indicaria um nome enquanto permanecesse indefinida a posição da federação na disputa presidencial. A avaliação é que a falta de definição se concentra principalmente no Rio de Janeiro, reduto político de Flávio, e em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. No Rio, embora o PL tenha decidido manter o apoio à candidatura de Márcio Canella (União Brasil) ao Senado para preservar a aliança com União-PP, o acordo passou a expor novas divergências. Após aceitar a permanência do ex-prefeito de Belford Roxo na chapa, mesmo depois de sua prisão durante uma operação da Polícia Federal, Flávio vetou a permanência de sua mãe, Rogéria Bolsonaro, como primeira suplente de Canella. A conclusão, segundo interlocutores, foi que o partido precisava preservar o acordo político com a federação, considerada estratégica para a candidatura de Douglas Ruas ao governo, sem ampliar a associação do sobrenome Bolsonaro a uma candidatura fragilizada. Rogéria, anunciada anteriormente como suplente, será candidata a deputada federal para reforçar a nominata do PL. O distanciamento também deve aparecer na campanha. A orientação é que Flávio evite dividir palanque e agendas públicas com Canella, deixando para Douglas Ruas a maior parte dos eventos conjuntos. Apesar do desconforto, dirigentes do PL afirmam que romper com a federação custaria mais caro do que manter o acordo, diante do tempo de propaganda e da força eleitoral de Canella na Baixada Fluminense e na Região Metropolitana. Em Minas Gerais, a saída definitiva do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) da disputa pelo governo abriu um novo foco de tensão dentro do PL. Enquanto Flávio resiste a abandonar a estratégia de lançar um candidato próprio ao Palácio Tiradentes, dirigentes estaduais passaram a defender uma aliança em torno do ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP). Segundo interlocutores, o presidenciável continua apostando em uma chapa própria encabeçada pelo empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). O ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli permanece como alternativa. Flávio argumenta que um candidato do PL teria mais liberdade para nacionalizar a campanha e dedicar seu palanque à disputa presidencial. A posição enfrenta resistência da maior parte da direção estadual e da ala comandada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que passou a defender uma composição mais ampla em torno de Aro. A avaliação é que insistir em uma candidatura própria pode acabar isolando o PL justamente no segundo maior colégio eleitoral do país. A divergência foi discutida na noite de terça-feira, durante reunião entre Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, Marcelo Aro e o presidente do PL em Minas, Zé Vitor. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, participou de parte da conversa por telefone. Segundo relatos feitos ao GLOBO, dirigentes voltaram a defender que o PL integre uma coligação liderada por Aro, com apoio do Republicanos e da federação União Progressista. Ex-deputado federal e ex-secretário da Casa Civil do governo Romeu Zema (Novo), Aro ganhou força depois que perdeu espaço na chapa do governador Mateus Simões (PSD) para disputar o Senado, após a filiação de Carlos Viana ao PSD. Desde então, PP, Republicanos e PL passaram a discutir sua candidatura ao governo, diante da desistência de Cleitinho. Aliados afirmam que Aro reúne condições de atrair partidos do campo da direita e formar um palanque mais amplo para Flávio em Minas. Interlocutores do presidenciável, porém, resistem ao acordo por avaliarem que um governador filiado a outra legenda dividiria sua campanha entre diferentes interesses partidários, enquanto um candidato do PL concentraria esforços na eleição presidencial.
Aliados criticam falta de diálogo e participação de Flávio para resolver impasses no Rio e em Minas
A poucos dias do fim do prazo para as convenções, presidenciável resiste a acordos defendidos por aliados nos estados







