Dirigentes do PL reclamam da lentidão para fechar chapas e avaliam que pré-campanha chega próximo das convenções sem decisões concretas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro na Marcha para Jesus, em São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O GLOBO RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 06/07/2026 - 17:27 Críticas Internas no PL Crescem com Viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA A viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA gerou críticas entre aliados do PL pela demora na definição de palanques para a campanha presidencial, considerada "confusa" e "desorganizada". A pressão interna cresce com convenções partidárias iminentes e indecisões em estados-chave. A expectativa é que, após sua volta ao Brasil, Flávio impulsione negociações locais, especialmente no Nordeste, e acelere decisões cruciais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A poucos dias do início das convenções partidárias, a viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos ocorre em meio ao aumento da pressão dentro do próprio PL. Enquanto o senador participa nesta terça-feira de uma audiência pública sobre a proposta americana de sobretaxar produtos brasileiros e cumpre compromissos políticos em Washington, dirigentes estaduais, parlamentares e pré-candidatos reclamam da demora para definir candidaturas, arbitrar disputas locais e consolidar palanques considerados estratégicos para a campanha presidencial. O incômodo não está relacionado à agenda internacional em si, vista por aliados como importante para reforçar a aproximação de Flávio com o governo Donald Trump e com lideranças do Partido Republicano. Nesta terça-feira, o senador participa da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), última etapa da investigação comercial aberta contra o Brasil antes da decisão prevista para 15 de julho sobre a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros. A expectativa é que Flávio utilize os cinco minutos de apresentação para defender a suspensão da medida, retirar o Pix do centro da disputa comercial e abrir espaço para uma negociação entre os dois países. A avaliação de dirigentes do partido, porém, é que a viagem ocorre justamente quando decisões consideradas urgentes continuam pendentes no Brasil. Para esse grupo, a campanha chega à reta decisiva ainda sem transformar meses de negociação em definições concretas, dificultando a organização das estruturas estaduais justamente quando o calendário eleitoral exige que as articulações deem lugar à campanha propriamente dita. Dirigentes passaram a descrever a condução da pré-campanha como "confusa", "lenta" e, em alguns casos, "desorganizada". A percepção é que a coordenação nacional perdeu capacidade de responder rapidamente às demandas dos estados e passou a adiar decisões consideradas essenciais para que candidatos ao Senado, à Câmara e aos governos estaduais possam estruturar suas campanhas. O caso que melhor simboliza esse ambiente é o do Rio de Janeiro. Integrantes do partido aguardavam que Flávio anunciasse na última sexta-feira o nome que disputará uma das vagas ao Senado pela legenda, encerrando meses de especulações envolvendo Sóstenes Cavalcante, Carlos Portinho e Carlos Jordy. O anúncio, porém, foi novamente adiado, ampliando a irritação entre os interessados. Um dos envolvidos nas negociações afirmou ao GLOBO já ter perdido as esperanças de quando sairá o anúncio. A avaliação deste interlocutor é de que Flávio está enrolado e não sabe o que faz. Outro integrante da cúpula do PL fluminense afirmou não entender a atual estratégia do presidenciável. A insatisfação, porém, já deixou de estar restrita ao Rio. A poucos dias das convenções, a campanha presidencial ainda convive com impasses em pelo menos dez palanques estaduais considerados prioritários pela direção nacional do partido. No Distrito Federal, a chapa ao Senado continua indefinida porque Michelle Bolsonaro ainda não oficializou se disputará ou não a eleição. Embora Valdemar Costa Neto já tenha começado a trabalhar com um plano alternativo e citado publicamente o senador Izalci Lucas e a deputada Bia Kicis como possíveis candidatos, a indefinição da ex-primeira-dama impede o fechamento da composição e mantém em compasso de espera lideranças que disputam espaço na majoritária. Em Pernambuco, onde Flávio desembarca na quinta-feira, o partido ainda não decidiu sequer se lançará candidato ao Senado. A direção estadual avalia diferentes cenários de composição e tenta conciliar interesses locais com a estratégia nacional, mas a ausência de definição preocupa dirigentes que consideram difícil fortalecer o palanque presidencial sem uma chapa majoritária completa. No Ceará, que receberá o senador na sexta-feira, o desafio é reconstruir a articulação política depois da crise envolvendo Michelle Bolsonaro. Foi no estado que teve início o rompimento entre madrasta e enteado, provocado pelo impasse em torno da candidatura da vereadora Priscila Costa (PL) ao Senado. Embora integrantes da campanha afirmem que o ambiente melhorou nas últimas semanas, reconhecem que o episódio deixou marcas e atrasou a consolidação do palanque local. Outro foco de tensão permanece em Mato Grosso. O PL resiste à pressão do Republicanos para retirar o apoio já anunciado ao senador Wellington Fagundes (PL) e aderir ao projeto do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). O impasse passou a contaminar as negociações nacionais entre os dois partidos e é acompanhado de perto pela campanha presidencial, que considera o estado estratégico tanto pelo peso do agronegócio quanto pela aliança nacional com o Republicanos. Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, o partido ainda não definiu quem encabeçará sua chapa ao governo. A disputa se concentra entre dois caminhos: lançar o senador Cleitinho (Republicanos-MG), nome defendido por parte do bolsonarismo e cuja candidatura depende de um entendimento político com o Republicanos, ou apostar no presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, que ganhou força nas últimas semanas entre integrantes da campanha como alternativa para ampliar o diálogo com o empresariado e o setor produtivo. Enquanto a decisão não é tomada, a montagem do palanque mineiro segue paralisada. À espera de Bolsonaro Interlocutores da campanha reconhecem que parte da demora decorre da complexidade das negociações e da necessidade de acomodar interesses de diferentes partidos aliados. Também admitem que Jair Bolsonaro continua sendo consultado antes das decisões finais e que diversas definições foram colocadas em compasso de espera diante da expectativa pela divulgação da lista preparada pelo ex-presidente com os nomes que pretende apoiar ao Senado e aos governos estaduais. O documento, aguardado por dirigentes desde junho, acabou retardando anúncios considerados essenciais para a organização das campanhas. Dirigentes afirmam que a espera pela palavra final de Bolsonaro alimentou a insatisfação de pré-candidatos e ampliou a percepção de que a campanha permanece excessivamente centralizada. Para esse grupo, temas nacionais monopolizaram a agenda nos últimos meses. A crise com Michelle Bolsonaro, o caso Banco Master, a preparação da viagem aos Estados Unidos e a estratégia para a audiência do USTR ocuparam espaço que, segundo aliados, deveria ter sido dedicado à consolidação das alianças estaduais. A pressão aumentou porque o calendário deixou de permitir novos adiamentos. As convenções começam na próxima semana e marcam o momento em que os partidos precisam formalizar candidaturas, registrar coligações, anunciar chapas e colocar definitivamente as campanhas nas ruas. Dentro do PL, a expectativa é que o retorno de Flávio marque uma mudança de fase. Depois da audiência em Washington, o senador desembarca no Brasil na quarta-feira e seguirá diretamente para agendas em Pernambuco e no Ceará, numa tentativa de fortalecer sua presença no Nordeste e destravar negociações locais. Entre dirigentes estaduais, porém, a avaliação é que a campanha já não precisa apenas de novas agendas ou gestos políticos. Precisa de decisões. Para um integrante da coordenação, o principal desafio deixou de ser apresentar Flávio Bolsonaro ao eleitorado e passou a ser convencer a própria base de apoio de que a candidatura finalmente saiu da fase das negociações e entrou, de fato, em ritmo eleitoral.