Pesquisa aponta que atual governador de SP abriu 15 pontos de vantagem sobre ex-ministro da Fazenda 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Haddad e Tarcísio: pesquisa — Foto: Reprodução A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (29) trouxe más notícias para a campanha de Fernando Haddad (PT). Uma delas é a boa avaliação da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 55% de aprovação contra 29% de desaprovação, mantendo o mesmo patamar que já havia sido captado em abril. O outro percalço evidenciado pelo levantamento é a alta rejeição do petista, de 58%, que não reduziu em relação à pesquisa anterior, divulgada há dois meses. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A estagnação nas intenções de voto, de 26% no primeiro turno, enquanto Tarcísio cresceu de 38% para 41%, também é um sinal vermelho para a campanha do petista, oficializado candidato no último sábado (25). Na sequência, aparecem Vera Lúcia (PSTU, 3%), Carlos Machado (PCB, 1%) e Vivian Mendes (UP, 1%). O levantamento mostra também que 13% dos entrevistados estão indecisos. Brancos e nulos representam 15%. A falta de crescimento nas pesquisas é um sinal de alerta ainda maior para o petista no contexto paulista deste ano em comparação a 2022, quando Tarcísio e Haddad se enfrentaram no segundo turno. Naquele ano, foi um primeiro turno acirrado: o então governador Rodrigo Garcia (na época, no PSDB) disputava os votos da direita com Tarcísio. Neste ano, o estado se encaminha para ter o menor número de candidaturas num pleito em sua história recente, o que limita a pulverização de votos. Para efeitos de comparação, entre junho e julho de 2022, Haddad liderava os levantamentos da Quaest, sempre marcando na faixa dos 40% a 42% dos votos, enquanto Garcia e Tarcísio disputavam a segunda posição. Com o início da campanha eleitoral, o candidato do Republicanos, apadrinhado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) foi crescendo. Na campanha de Haddad, os números desta quarta foram recebidos com o sentimento de que a "eleição ainda nem começou". Embora parta de números mais baixos do que obteve no primeiro turno de 2022 (35,7%, contra 42,32% de Tarcísio), a chapa estadual espera crescer quando o horário eleitoral começar a valer, em agosto. – Eleição não se ganha e nem se perde na véspera. O Tarcísio está entrando nessa eleição como se fosse a Argentina (na Copa do Mundo). Com o espírito coletivo que estamos demonstrando, podemos vencer essas eleições. Estamos muito mais para a Espanha do que para a Argentina. Ele acha que vai ganhar na base da truculência, mas não vai. As pessoas também olham para nós como se fôssemos Cabo Verde, mas Cabo Verde também surpreendeu – afirma o advogado Marco Aurélio Carvalho, do Grupo Prerrogativas e coordenador da campanha de Lula em São Paulo. Tarcísio aparece a frente de Haddad em quase todos os segmentos analisados pela Quaest, com exceção do eleitorado que ganha até 2 salários mínimos. Neste segmento, o petista aparece com 39% contra 35% do atual governador no segundo turno. Entre quem ganha de 2 a 5 salários, Tarcísio marca 51% e Haddad 30%. Quem ganha mais de 5 salários também prefere a reeleição do representante do Republicanos (52%) contra Haddad (30%). Na comparação por gênero, 40% das mulheres preferem Tarcísio num eventual segundo turno contra Haddad, que marca 36% com o eleitorado feminino. Entre os homens, a distância entre os dois é bem maior: o postulante da direita marca 57% contra 28% do petista. Mas nem todas as notícias são ruins para a esquerda no estado. Na sondagem ao Senado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), as duas candidatas na chapa de Haddad, lideram as intenções de voto. A ex-ministra do Meio Ambiente marca 14% e a ex-ministra do Planejamento soma 12%, a frente dos candidatos que integram a coligação de Tarcísio. A escolha de lançar Haddad em São Paulo como candidato ao governo foi marcada por resistências do ex-ministro da Fazenda, que inicialmente sinalizou que preferiria ajudar Lula na eleição presidencial. Mas o presidente entendeu que o PT precisava de candidato próprio no estado para fazer frente a Tarcísio e também a Flávio Bolsonaro (PL) em solo paulista, já que São Paulo concentra a maior fatia do eleitorado no país. Os dois devem fazer agendas juntos sempre que o presidente vier a São Paulo. Em 2022, Jair Bolsonaro venceu no estado com 55,23% dos votos contra 44,7% de Lula. O candidato do PL foi o mais votado em 547 cidades, das 645 do estado, enquanto o petista se saiu melhor em 97 municípios, incluindo a capital. Ciente da maior facilidade na capital e da maior resistência do interior, Haddad tem intensificado agendas em municípios fora da Grande São Paulo. Símbolo disso foi a oficialização de sua candidatura em Campinas. Por outro lado, os dados da pesquisa foram celebrados pela campanha do atual governador, que por sua vez deve apostar mais na Região Metropolitana, por considerar que já tem um eleitorado mais fiel no interior. Diferentemente da relação mais próxima que Lula e Haddad devem ter durante a campanha, a dobradinha com Flávio Bolsonaro (PL) deve ser mais calculada: na Grande São Paulo, os dois devem aparecer menos juntos, enquanto no interior a dupla deve fazer mais agendas conjuntas. O motivo é a alta rejeição do senador, sobretudo após as revelações de envolvimento dele com o Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. “Recebemos o resultado com otimismo. É um retrato do reconhecimento dos paulistas a um governo que trabalha, entrega resultados e enfrenta os problemas de frente com coragem", afirmou a campanha, destacando que a pesquisa comprova "o crescimento gradual e consistente da pré-candidatura de Tarcísio de Freitas ao Governo do Estado de São Paulo". "Vamos continuar percorrendo o Estado, ouvindo a população e apresentando propostas para que São Paulo siga avançando", disse Tarcísio, por meio de sua assessoria.