Relatório divulgado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) nesta quarta-feira (29) comprova a paralisia nas atividades do órgão responsável pela fiscalização do mercado financeiro no país durante o início do ano.

O documento confirma que o colegiado da CVM não julgou nenhum processo nem aplicou nenhuma penalidade no primeiro trimestre do ano, quando a autarquia tinha apenas duas de suas cinco diretorias ocupadas.

O desfalque na diretoria colegiada foi provocado por atrasos nas indicações do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o órgão, que tem em mãos processos sobre as maiores fraudes ocorridas no Brasil recentemente, como as da Lojas Americanas e do Banco Master.

O problema começou no fim de 2024, com o fim do mandato do diretor Daniel Maeda. Em julho de 2025, o ex-presidente da CVM João Pedro Nascimento decidiu deixar a entidade. No fim do ano, venceu o mandato de Otto Lobo, que ocupava a presidência interina.

Nesse cenário, as atividades da autarquia já sofriam impactos em 2025. O número de julgamentos caiu quase à metade do registrado no ano anterior, passando de 94 para 49. As multas aplicadas a pessoas sancionadas em 2025 somaram R$ 511 milhões, quase a metade do ano anterior.