'Quanto mais produtos trazemos para a fábrica, maior é a diluição dos custos fixos', diz Alexandre França, diretor presidente da MedQuímica Foto: Daniel Teixeira/Estadão - 06/08/2024A MedQuímica, subsidiária brasileira da farmacêutica indiana Lupin, comprou os direitos de produzir e vender no mercado brasileiro o medicamento Plasil, que antes pertenciam à francesa Sanofi. O valor da aquisição não foi revelado, mas a Coluna apurou que os múltiplos são de aproximadamente dois anos de venda do remédio, que gera cerca de R$ 30 milhões anuais e deverá contribuir para um crescimento entre 5% e 8% no faturamento da companhia.PUBLICIDADEDe acordo com o diretor presidente da MedQuímica, Alexandre França, a incorporação de medicamentos bem posicionados no mercado brasileiro faz parte da estratégia adotada pelo grupo desde 2021, de ampliar sua presença no País ao combinar o fortalecimento do portfólio de genéricos com a expansão em medicamentos de marca consolidada e especialidades. Por isso, a integração do medicamento ao portfólio fortalece a reputação da MedQuímica e melhora a eficiência operacional, uma vez que o Plasil é uma marca consolidada no mercado brasileiro, com décadas de presença e demanda estável.Segundo França, além da previsibilidade de receita proporcionada por marcas maduras, a estratégia também aumenta a eficiência industrial. Isso porque, ao internalizar a produção desses medicamentos na fábrica de Juiz de Fora (MG), a companhia dilui os custos fixos da operação entre um número maior de produtos, reduzindo o custo unitário de fabricação de todo o portfólio. “Quanto mais produtos trazemos para a fábrica, maior é a diluição dos custos fixos, beneficiando todo o portfólio”, afirmou.Francesa passa por revisão de portfólioA venda do Plasil ocorre em um contexto de revisão de portfólio da Sanofi, que vem reestruturando suas operações para concentrar investimentos em medicamentos inovadores, terapias biológicas e vacinas de maior valor agregado. No Brasil, esse movimento já havia se traduzido na venda da Medley para a EMS, anunciada neste ano por R$ 3,2 bilhões. Na avaliação de França, esse reposicionamento das grandes farmacêuticas abre espaço para empresas como a MedQuímica adquirirem marcas maduras, com demanda consolidada e geração imediata de receita.O executivo explicou que a mudança de estratégia ocorreu em 2021, quando a companhia concluiu que o mercado brasileiro de genéricos havia atingido um novo estágio de maturidade. Segundo ele, o forte desenvolvimento desse segmento foi impulsionado principalmente pelas empresas nacionais, que ampliaram a concorrência ao desenvolver cópias de qualidade, tornando o ambiente mais competitivo. Diante desse cenário, a MedQuímica passou a reduzir sua dependência dos genéricos e a investir em medicamentos isentos de prescrição (MIPs), especialidades e produtos maduros, que oferecem demanda mais estável e previsibilidade de vendas. Como parte desse movimento, entre 2021 e 2022 a empresa adquiriu cinco medicamentos da Bausch Health, incluindo um tratamento para a doença rara de Wilson.PublicidadeFrança afirmou que o Plasil representa um dos principais marcos dessa estratégia por ser uma marca presente no mercado brasileiro há mais de quatro décadas, com eficácia e segurança reconhecidas. Inicialmente, a MedQuímica comercializará os estoques remanescentes produzidos pela Sanofi e, posteriormente, passará a fabricar o medicamento em sua unidade de Juiz de Fora.Genérico fez companhia dobrar de tamanhoOutro vetor importante de crescimento foi o lançamento do genérico nacional da dapagliflozina, cuja patente expirou no ano passado. A MedQuímica afirma ter sido a primeira empresa a obter o registro na Anvisa para produzir o medicamento no Brasil. Indicado para o tratamento do diabetes tipo 2, o produto praticamente dobrou o tamanho da operação brasileira da companhia, segundo França, e reforça a estratégia de ampliar o acesso a terapias modernas por meio da produção nacional.Controlada pela Lupin desde 2015, a MedQuímica foi adquirida para servir como plataforma de expansão do grupo no quinto maior mercado farmacêutico do mundo. A empresa encerrou seu último ano fiscal, entre abril de 2025 e março de 2026, com faturamento superior a R$ 400 milhões e projeta alcançar cerca de R$ 500 milhões neste exercício, impulsionada pelo desempenho da dapagliflozina e pela incorporação do Plasil ao portfólio. A companhia produz seus medicamentos em Juiz de Fora e atua nos segmentos de genéricos, medicamentos isentos de prescrição, hospitalares, suplementos alimentares e genéricos de marca.Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 23/07/2026, às 17:38A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.PublicidadePara saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.
MedQuímica compra da Sanofi direitos para produzir e vender o medicamento Plasil
Faturamento com a comercialização do remédio é de cerca de R$ 30 milhões por ano









