No RG, o sobrenome é Rodrigues de Rezende, mas Jeferson escolheu a preposição para assinar seu primeiro filme. E assim ficou —Jeferson De.
O cineasta, autor de títulos como "Bróder", "Narciso" e "Doutor Gama", ganha agora uma retrospectiva de sua obra no Espaço Petrobras de Cinema, no centro de São Paulo, desta quinta-feira (30) até 5 de agosto, como parte do Festival Cineastas de São Paulo, em parceria com a Folha. Os ingressos custam R$ 20 a inteira.
O cineasta, de 58 anos e com 25 de carreira, nascido em Taubaté, no interior paulista, lembra como concebeu o nome. Provavelmente seus antepassados foram escravizados pelo barão de Resende, empresário poderoso pelo estado de São Paulo no século 19. Já Rodrigues é sobrenome europeu. Não seria impossível que tivesse sido passado de um senhor de terras a um alforriado.
"Então esse nome é ridículo! Como é que eu podia chamar ‘Jeferson Rezende’?", diz. Sobrou o "De".
Essa consciência de suas origens, e o que isso revela sobre o lugar que o negro ocupa na sociedade brasileira ao longo dos séculos, diz muito sobre a cinematografia de Jeferson De.






