Retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã amplia riscos à oferta e ao transporte da commodity na região 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Preços do petróleo disparam com a retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. — Foto: Bloomberg O petróleo opera em forte alta nesta quarta-feira, após uma nova rodada de confrontos no Oriente Médio ampliar os riscos para a oferta e o transporte da commodity na região. O Brent, referência mundial de preços, superou os US$ 90 por barril, em meio à retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã. Por volta das 11h58, o Brent avançava 7,7%, cotado a US$ 90,50 por barril. Já o WTI, referência do mercado americano, subia 7,5%, a US$ 85,19. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse à Fox News que o Irã seria duramente atingido após um ataque contra forças americanas na Jordânia. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica atacou uma base aérea e um centro de comando dos EUA no país com mísseis balísticos, informou a emissora estatal IRIB News, citando um comunicado da organização. Posteriormente, a imprensa iraniana afirmou que os Estados Unidos haviam atacado parte do território do país. A forte valorização do petróleo ocorre após um período de elevada volatilidade. Os contratos oscilaram em uma faixa de quase US$ 32 por barril em julho, à medida que os confrontos entre Estados Unidos e Irã se intensificaram e os houthis, apoiados por Teerã, abriram uma nova frente de conflito no Mar Vermelho. Posteriormente, as cotações recuaram com a breve diminuição das hostilidades. Os investidores continuam atentos às iniciativas diplomáticas para encerrar a guerra e aos sinais de que o fluxo por rotas estratégicas permanece comprometido. — Continuamos extremamente céticos quanto à possibilidade de estarmos próximos de um grande avanço diplomático capaz de resolver o impasse nuclear que deu início à guerra — afirmaram analistas da RBC Capital Markets, entre eles Helima Croft, em relatório. — A ameaça persistente de mísseis, minas, drones e cobranças impostas por Teerã manterá uma parcela significativa do mercado de transporte marítimo afastada da região. Mais cedo, a Reuters informou que o grupo houthi, do Iêmen, avaliava cobrar taxas dos navios que atravessam o Mar Vermelho. O Irã tenta impor cobranças semelhantes no estratégico Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto dos fluxos mundiais de petróleo e gás antes da guerra. Enquanto isso, forças militares dos Estados Unidos e da Arábia Saudita também atacaram, no Iraque, “terroristas alinhados ao Irã” que, segundo o Comando Central americano, haviam recebido ordens da Guarda Revolucionária para atingir tropas dos EUA e a infraestrutura energética saudita. Riad confirmou a operação conjunta e declarou que os ataques foram realizados como parte do “direito à legítima defesa”, segundo a agência estatal SPA. Impacto nos mercados globais A disparada da commodity também repercutiu nos mercados financeiros. No Brasil, a alta elevou as preocupações com a inflação e pressionou os juros futuros ao longo de toda a curva. O movimento pesou sobre as ações mais sensíveis às taxas, especialmente as de bancos, e contribuiu para a queda do Ibovespa. Por volta das 11h22, o índice recuava 0,65%, aos 175.409 pontos. Na direção oposta, a Petrobras ajudava a limitar as perdas da Bolsa, beneficiada pela valorização do petróleo. As ações preferenciais da estatal avançavam 2,18%, a R$ 42,09. O real também era favorecido, uma vez que o Brasil é exportador da commodity, e o dólar operava em leve queda, cotado na região de R$ 5,11. Nos Estados Unidos, o avanço do petróleo reforçou os temores de que a inflação permaneça elevada por mais tempo, às vésperas da decisão do Federal Reserve sobre os juros. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano subiram, enquanto as bolsas de Nova York recuaram, com nova pressão sobre as ações de fabricantes de semicondutores. A valorização da commodity reduziu o apetite por ativos de risco e aumentou as dúvidas sobre os próximos passos da política monetária americana. (Com Bloomberg)