Segundo a entidade, a inflação mais pressionada e incertezas no cenário macroeconômico, como nível elevado de juros, levaram ao resultado Após subir 0,2% em junho, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) caiu 0,8% em julho, para 101,9 pontos. Na comparação com julho do ano passado, o recuo foi mais intenso, de 2,9%. Inflação mais pressionada e incertezas no cenário macroeconômico, como nível elevado de juros, levaram ao resultado, informou a organização. Dos três tópicos usados para o cálculo do indicador, dois tiveram recuo na passagem de junho a julho. É o caso de condições atuais (-2,7%) e intenções de investimento (-0,6%). Em contrapartida, foi apurado aumento de 0,3% no componente de expectativas. Entretanto, na comparação com julho do ano passado, todos os tópicos tiveram queda em julho desse ano. É o caso das retrações, nessa comparação, em condições atuais (-3,5%), expectativas (-4%), e intenções de investimento (-1,1%). No entendimento da CNC, o Icec de julho evidencia que o resultado negativo foi influenciado mais por condições atuais dos negócios do comércio. A percepção dos varejistas sobre o atual momento da economia despencou 4% no mês, sendo o principal vetor de pessimismo, no curto prazo. Além disso, a confederação salientou que o indicador dá sinais de que os empresários varejistas frearam planos de investimentos. O principal impacto se deu na intenção de contratação de funcionários, que retraiu 1,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. Foi a terceira queda consecutiva desse componente, refletindo a “gestão mais defensiva dos lojistas”. Em comunicado sobre o indicador, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, observou que os resultados indicam um cenário que exige atenção para que o ímpeto do setor não seja paralisado. Ele voltou a citar o atual patamar da taxa básica de juros (Selic), que norteia juros de mercado e atualmente está em 14,25% ao ano, como um dos fatores de influência no desempenho. Isso porque, quanto mais alto o juro, mais caro fica comprar a crédito, o que pode ser um inibidor de novas compras. "É fundamental que possamos observar uma continuação na redução da taxa Selic, de forma coordenada com outras medidas governamentais, para que haja um alívio no custo do crédito e a consequente melhoria sustentável do ambiente de negócios, permitindo que o varejo volte a investir com segurança e previsibilidade", afirmou. O cenário de juros em patamar elevado no varejo também afetou o ritmo de compras em julho, em itens cuja venda é mais dependente de crédito. Isso acabou por influenciar humor de empresariado relacionado a esses segmentos. A CNC informou que, em julho, entre as principais atividades pesquisadas pela organização no varejo, a que mostrou maior queda de confiança foi a de bens duráveis. Esses são bens de maior valor agregado e mais transacionados a crédito. Empresários dos ramos de eletrônicos, eletrodomésticos, móveis e decoração, cine/foto/som, material de construção e veículos tiveram recuo de confiança de 2,1% em julho ante junho, com retração de 2,5% ante julho do ano passado, detalhou também a confederação. Entretanto, mesmo com cenário desafiador em julho, os empresários permanecem confiantes em algum tipo de melhora futura, de acordo com resultados do Icec. No indicador de julho, a maioria dos empresários (58,7%) segue com expectativas para uma melhora econômica, maior fatia para essa resposta desde abril (60,8%). — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil