0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Taxa Selic é definida pelo Copom levando em consideração a meta de inflação que o governo fixou — Foto: Arquivo A guerra no Oriente Médio alterou significativamente a trajetória esperada dos juros no Brasil. Não fosse o conflito entre Irã e Estados Unidos, a expectativa do mercado era encerrar este ano com a Selic em torno de 11% projetavam os analistas de mercado. Atualmente, a estimativa é de 14%, um cenário que já começa a ser revisto. Apesar da nova escalada dos ataques, que voltou a pressionar os preços do petróleo nesta manhã, o barril tem permanecido abaixo dos US$ 100 — patamar que chegou a ser superado ao longo desses cinco meses de conflito. Esse comportamento tem ajudado a aliviar parte da pressão sobre a inflação global. No Brasil, o IPCA-15 de julho, divulgado pelo IBGE nesta terça-feira, reforça a expectativa de um novo corte da taxa básica de juros na próxima reunião do Banco Central, o que levaria a Selic para 14%. Mais do que isso, economistas já começam a considerar a possibilidade de um novo corte ainda neste ano. A desaceleração da inflação nos últimos meses tem surpreendido positivamente e ampliado o espaço para uma flexibilização da política monetária. A prévia da inflação de julho ficou em apenas 0,06%, o que é estabilidade. O destaque foi a queda de 0,66% nos preços dos alimentos, com recuos expressivos de produtos como o tomate, que caiu cerca de 20%, e a batata, com queda em torno de 10%. A expectativa dos economistas é que agosto também apresente uma inflação comportada. Esse é um dado especialmente relevante porque a inflação dos alimentos afeta de forma mais intensa as famílias de menor renda. O resultado do IPCA-15 surpreendeu o mercado, que há quatro semanas vem revisando para baixo as projeções de inflação para este ano. A inflação acumulada em 12 meses, que estava em 4,80% em junho — ainda bem acima do teto da meta de 4,5% — recuou para 4,52% em julho, aproximando-se novamente do intervalo perseguido pelo Banco Central. A trajetória da inflação nos próximos meses continuará dependendo, em grande medida, da evolução da guerra e de seus efeitos sobre os preços do petróleo. O cenário permanece instável, mas, se o barril continuar abaixo de US$ 100, haverá condições mais favoráveis para novas desacelerações da inflação e, consequentemente, para a continuidade do ciclo de redução da Selic.