0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro da Fazenda, Dario Durigan — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/07/2026 - 08:21 Desafios Fiscais: Governo e Oposição Enfrentam Crescente Dívida Pública no Brasil A dívida pública brasileira aumentou significativamente, e tanto o atual governo quanto a oposição terão de enfrentar escolhas difíceis após as eleições. O ministro da Fazenda sugere desacelerar o crescimento das despesas, atualmente limitado a 2,5% acima da inflação. Controlar a dívida passa por reduzir despesas primárias e melhorar expectativas fiscais. O arcabouço fiscal atual trouxe avanços, mas dúvidas sobre sua credibilidade persistem. A sustentabilidade da dívida é crucial, e reformas estruturais, especialmente nas despesas previdenciárias, serão inevitáveis. Enfrentar esses desafios exigirá escolhas políticas e uma estratégia fiscal robusta. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A dívida pública brasileira cresceu de forma significativa e, seja com a reeleição do atual governo ou com a vitória da oposição, será necessário explicar ao país o que será feito para mudar esse quadro. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, teria sinalizado ao mercado financeiro que o governo poderá desacelerar o crescimento do limite de gastos previsto no arcabouço fiscal. Na prática, isso significaria elevar as despesas em um ritmo inferior ao teto de 2,5% acima da inflação permitido pela regra. Caso o governo seja reeleito, precisará esclarecer qual será sua estratégia para as contas públicas a partir do próximo ano. É verdade que boa parte do crescimento da dívida pública não decorre do aumento do déficit primário, mas do elevado custo dos juros. Ainda assim, a forma de reduzir essa pressão passa pelo controle das despesas primárias, pela melhora das expectativas fiscais e pela criação de condições para que a inflação recue. É a queda da inflação que abre espaço para a redução da taxa Selic, e não um decreto destinado a diminuir o custo da dívida. Portanto, tentar inverter essa lógica seria um erro técnico. O arcabouço fiscal trouxe algum avanço em relação ao controle dos gastos públicos e houve melhora no resultado primário. No entanto, permanecem dúvidas sobre a credibilidade da regra. Em certa medida, repete-se o problema observado no antigo teto de gastos, que acabou sendo progressivamente esvaziado pelas inúmeras exceções criadas ao longo do tempo. Agora ocorre algo semelhante: diversas despesas são retiradas da conta, o que melhora os indicadores fiscais, mas não resolve o problema central, que é a trajetória de crescimento da dívida pública. Hoje, ela corresponde a 81,1% do PIB, percentual que preocupa especialistas e agentes do mercado financeiro. É sempre bom explicar, que essa é uma dívida com o povo brasileiro, é o outro lado das nossas aplicações de renda fixa, nossa compra de Tesouro Direto. Ainda assim, o fundamental é que essa dívida seja percebida como sustentável e apresente uma trajetória de estabilidade, algo que não vem ocorrendo nos últimos anos. Trata-se de um debate frequentemente contaminado por simplificações que pouco ajudam a compreender sua complexidade. Entre as mudanças estruturais necessárias para reequilibrar as contas públicas, a mais difícil envolve as despesas previdenciárias, o maior bloco de gastos do Orçamento, excluído o serviço da própria dívida. Os gastos com aposentadorias e benefícios crescem de forma contínua e são reajustados pelo salário mínimo. O governo Lula retomou a política de aumento real do mínimo, o que amplia essa pressão. Em um país que envelhece rapidamente, será inevitável discutir estratégias para desacelerar o crescimento dessas despesas sem comprometer a proteção social. O fato é que o Brasil não dispõe de soluções simples para problemas complexos. Durante a campanha eleitoral, os candidatos certamente serão tentados a recorrer a respostas fáceis para questões difíceis. No entanto, enfrentar o desafio da dívida pública exigirá escolhas políticas, reformas estruturais e uma estratégia fiscal consistente, independentemente de quem vencer as eleições.