Washington e Riad afirmaram que ação coordenada foi uma retaliação após ataques com drones contra instalações petrolíferas sauditas lançados pelas milícias iraquianas Danos em uma instalação das Forças de Mobilização Popular do Iraque após ataques aéreos realizados por EUA e Arábia Saudita em Bartella, na província de Nínive — Foto: Khalid Al-Mousily/Reuters Os Estados Unidos realizaram na madrugada desta quinta-feira os primeiros ataques aéreos no Oriente Médio desde a suspensão da ofensiva na semana passada, atingindo grupos apoiados pelo Irã no Iraque em uma ação conjunta com a Arábia Saudita. Teerã disparou contra bases americanas na Jordânia e embarcações no Estreito de Ormuz, após negar uma proposta de Omã para a gestão da hidrovia crucial para os mercados globais de energia. Os preços do petróleo voltaram a subir à medida que a retomada dos combates e dos reveses diplomáticos sinalizaram que não há perspectiva de um fim rápido para a guerra iniciada por EUA e Israel em fevereiro. Na manhã desta quinta-feira, por volta das 7h10, o barril do Brent, referência mundial, para entrega em setembro era negociado em alta de 4,29%, a US$ 87,70, após um recuo de 4,83% na sessão de ontem. Washington e Riad afirmaram ter atacado conjuntamente grupos armados apoiados pelo Irã no Iraque, em retaliação a ataques com drones contra instalações petrolíferas sauditas. As Forças de Mobilização Popular do Iraque, poderosos grupos paramilitares apoiados pelo Irã e incorporados formalmente às forças de segurança iraquianas, disseram que pelo menos 20 integrantes morreram e outros 32 ficaram feridos nos ataques americano-sauditas contra diversas bases no país. Esta foi a primeira grande ação militar americana no Oriente Médio desde a última sexta-feira, quando o presidente Donald Trump suspendeu abruptamente uma intensa campanha de bombardeios após 13 dias, depois de ter sido informado por comandantes militares de que a estratégia havia atingido seus objetivos. Os ataques conjuntos podem ampliar o conflito ao envolver a Arábia Saudita, de maioria muçulmana sunita, em combates contra grupos aliados xiitas do Irã em uma nova frente. Foi a primeira vez, durante a guerra, que a Arábia Saudita declarou publicamente sua participação em ataques conjuntos ao lado dos EUA. O governo iraquiano liderado por xiitas, um dos poucos no mundo a manter estreitas relações militares e diplomáticas tanto com o Irã quanto com os EUA, convocou uma reunião de emergência. Washington há muito pressiona o governo de Bagdá a reprimir os grupos paramilitares apoiados pelo Irã, mas tentativas anteriores nesse sentido provocaram instabilidade interna. A Arábia Saudita também foi arrastada para o conflito em outra frente, com o movimento houthi, do Iêmen e aliado do Irã, anunciando na semana passada um bloqueio às exportações sauditas de petróleo pelo Mar Vermelho e realizando ataques contra navios e instalações petrolíferas. Horas antes de lançar os ataques conjuntos com a Arábia Saudita contra o Iraque, as Forças Armadas dos EUA disseram que suas defesas aéreas impediram um ataque surpresa iraniano contra tropas americanas na região. As Forças Armadas da Jordânia disseram que suas defesas aéreas interceptaram e derrubaram cinco mísseis iranianos. Três dos quatro militares americanos mortos neste mês perderam a vida na Jordânia, onde as bases dos EUA se tornaram alvos prioritários do Irã. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado vários mísseis balísticos contra instalações militares americanas na Jordânia e atacado três navios-tanque que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz por uma rota não autorizada. Proposta sobre Ormuz rejeitada Omã propôs nesta semana um plano de controle regional conjunto do estreito, com apoio dos países do Golfo, que permitiria o pagamento de taxas voluntárias pelos serviços prestados. Mas uma alta autoridade iraniana disse à Reuters nesta quarta-feira que o Irã rejeitou a proposta por considerá-la "irracional". Segundo a autoridade, um arranjo de controle conjunto em partes iguais com Omã não atenderia aos interesses do Irã, embora Teerã considere Omã um vizinho valioso. O Irã quer controle exclusivo sobre a rota de entrada do estreito e controle parcial sobre a rota de saída. Os combates na região foram retomados neste mês depois que um acordo entre EUA e Irã, asssinado em junho para estabelecer uma estrutura destinada a encerrar a guerra, fracassou devido ao impasse sobre o futuro do estreito, a mais importante rota marítima do mundo para o transporte de energia, que o Irã afirma controlar e na qual pretende cobrar tarifas. Os EUA vêm orientando os navios a utilizar uma rota próxima ao litoral de Omã, em vez de navegar perto da costa iraniana. A Marinha da Guarda Revolucionária afirmou, em comunicado, que continua mantendo controle total sobre o estreito e responderá à "interferência militar ilegal dos EUA".
EUA e Arábia Saudita atacam milícias aliadas do Irã no Iraque
Washington e Riad afirmaram que ação coordenada foi uma retaliação após ataques com drones contra instalações petrolíferas sauditas lançados pelas milícias iraquianas








