"O tornado é caracterizado por uma corrente de ar muito intensa, giratória. Quando nós temos um tornado, observamos aquela nuvem funil. A nuvem funil que toca o solo é chamada de tornado. É um vento intenso giratório. Uma microexplosão também é caracterizada por uma corrente de ar descendente, mas que acontece centrada na nuvem, abaixo da nuvem. Ela ocorre em uma região bastante concentrada e o vento forma um desenho meio que radial, divergindo para vários lados". Empresa de amendoim destruída por ventos de temporal severo em Dumont, SP — Foto: Marcelo Moraes/EPTV A velocidade dos ventos de 160 km/h foi registrada pelo Instituto Agronômico (IAC), centro de pesquisa do estado em Ribeirão Preto focado no desenvolvimento agrícola. LEIA TAMBÉM: Estragos feitos pelo vento em imóvel de Taquaritinga, SP — Foto: Redes sociais Fenômenos de tempo severo Microexplosões e tornados são considerados fenômenos de tempo severo. Ambos são gerados dentro de uma supercélula, que é uma nuvem muito carregada e de grande extensão. A diferença, ainda segundo a meteorologista, é a forma das duas correntes de ar. O tornado é uma corrente de ar giratória e a microexplosão faz um movimento para baixo e para os lados. "O tornado faz um caminho, ele vai caminhando. A microexplosão vai como se fosse saindo das base da nuvem em uma forma radial, mas concentrada em uma área muito pequena. Ela vai pra baixo e pros lados. O tornado faz um giro, a corrente de ar é um movimento giratório. E a microexplosão é uma corrente de ar que vai para vários lados ao mesmo tempo". Tornado e microexplosão se diferem pela forma das duas correntes de ar — Foto: Reprodução/EPTV A meteorologista diz que tanto o tornado quanto a microexplosão podem causar danos muito semelhantes, dependendo da intensidade. "Só que tornados são considerados fenômenos meteorológicos mais destruidores, porque podemos ter tornados com o vento estimado em 300km/h, 400km/h", diz Josélia. Segundo ela, nem sempre há a formação de uma supercélula com frente fria, como ocorreu na semana passada. "Uma supercélula pode se formar mesmo sem ter uma frente fria. Basta que você tenha uma atmosfera muito instável. Essas supercélulas, que são essas nuvens muito intensas, muito extensas, que podem gerar tornado ou microexplosão, podem se formar em um ambiente onde você tenha um ar muito quente e úmido junto com o ar seco e quente. Você pode ter essas situações por exemplo, em um dia às vezes muito quente de verão, ou de primavera." Sem previsibilidade Ainda segundo Josélia, tornados e microexplosões são fenômenos muito difíceis de serem detectados em radares meteorológicos com mais de 24 horas de antecedência. "Nós não conseguimos, tecnicamente, com todos os avanços que nós temos hoje, dar alertas de microexplosão ou de tornados com mais de 24 horas de antecedência. O que os meteorologistas conseguem antever, é a possibilidade da formação de uma supercélula. Mas onde, exatamente, ela vai se formar, somente conseguimos ver através de imagens de radar meteorológico, imagens de satélite, pouco tempo antes de ela acontecer". Estragos causados por temporal severo em Ribeirão Preto, SP, na sexta-feira (24) — Foto: Reprodução/EPTV Tempestade deixou rastros de destruição De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as condições meteorológicas observadas na região de Ribeirão Preto na semana passada foram favorecidas pela atuação de um cavado em médios níveis da atmosfera, que promoveu instabilidade sobre a área. "Esse sistema, em conjunto com o calor e a elevada disponibilidade de umidade, além da aproximação de uma frente fria, forneceu os mecanismos de grande escala necessários para o desenvolvimento das tempestades. As informações disponíveis consistem em registros pontuais de velocidade do vento, precipitação, descargas atmosféricas e relatos locais, variáveis que indicam a ocorrência de tempestades", apontou o Inmet em nota. Tempestade em Ribeirão Preto. — Foto: Reprodução/Jornal Nacional VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região