País vizinho é um dos principais mercados para a indústria nacional e o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, que foi responsável por 14,6% do total de suas vendas externas em 2025 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Discursos de Lula e Milei tiveram pontos de divergência durante cúpula do Mercosul — Foto: Luis Robayo/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/07/2026 - 22:17 Comércio Brasil-Argentina em queda: exportações caem 18,1% em um ano A relação comercial entre Brasil e Argentina enfrenta desafios com a queda de 18,1% nas exportações brasileiras para o país vizinho nos últimos 12 meses. Apesar de a Argentina ser um dos principais mercados para produtos brasileiros, a ascensão da China e o avanço tecnológico, especialmente em veículos elétricos, têm impactado negativamente o fluxo comercial. A Argentina, terceiro maior parceiro comercial do Brasil, continua a importar manufaturados brasileiros, mas tem buscado alternativas com países como Estados Unidos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO As exportações brasileiras para a Argentina — terceiro maior parceiro comercial do país — caíram 18,1% nos últimos 12 meses, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), na comparação com o mesmo período anterior. O país governado por Javier Milei ainda é um parceiro importante do Brasil, mesmo com as discordâncias políticas de seu governo com o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No último fim de semana, Milei voltou a criticar o presidente brasileiro com duros ataques durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A Argentina só fica atrás de China e Estados Unidos entre os maiores compradores de produtos brasileiros, segundo dados da balança comercial. Do ponto de vista argentino, o Brasil perdeu para a China o posto de principal origem das importações do país vizinho. No ano passado, de acordo com o Centro de Economia Internacional do Ministério das Relações Exteriores da Argentina, as exportações para o Brasil responderam por 14,6% do total vendido no exterior em 2025. Segundo o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, a queda das exportações para Argentina não tem motivações políticas. Para ele, o avanço tecnológico e a China explicam essa queda. Como o Brasil e a Argentina têm um acordo automotivo, a maior parte das exportações é de carros e autopeças. Produtos mais vendidos — Foto: Criação O Globo Com o avanço dos veículos elétricos e dos chineses como principais produtores mundiais, os carros brasileiros perderam espaço no mercado argentino e vice-versa: — O principal item vendido eram automóveis, num comércio encorpado, mas a China mudou o cenário. Vende direto para a Argentina e ocupou o espaço que era do Brasil. Esse é o ponto mais visível. Participação cai para 3,7% Em junho, as exportações do Brasil para a Argentina totalizaram US$ 1,3 bilhão. Um ano antes, o total das vendas brasileiras ao país vizinho foi de US$ 1,6 bilhão. Com isso, a participação da Argentina nas exportações brasileiras caiu de 5,6% para 3,7% em um ano. As importações de produtos argentinos, por outro lado, cresceram 3,8% em junho em relação ao mesmo período de 2025. A indústria automotiva também é o principal motor desse lado do fluxo de bens entre os dois países. Além de ser a segunda maior economia entre os integrantes do Mercosul (formado também por Paraguai e Uruguai), a Argentina é um parceiro comercial importante para o Brasil porque boa parte do que importa de empresas brasileiras é de produtos manufaturados, que têm mais dificuldade de competir em economias avançadas e são os principais alvos do tarifaço sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos. — A Argentina sempre foi o principal comprador dos manufaturados brasileiros. — diz Castro. E essa situação pode piorar, já que a Argentina fez acordo com os Estados Unidos, também forte exportador de manufaturados. Sem contar a competição de outros países. O tarifaço de Trump, atingindo a quase totalidade dos países, vai obrigar a um deslocamento das exportações globais, o que aumenta a concorrência também na Argentina. — O desafio dos manufaturados da China está em toda a parte. Os alemães já estão tomando medidas para se proteger das exportações de carros da China. A Europa, do mesmo jeito que o Brasil, está buscando outros mercados — afirma Armando Castelar, da Fundação Getulio Vargas (FGV). No mês passado, a maior parte das exportações para o país vizinho foi de veículos, autopeças e máquinas e equipamentos elétricos. Importamos de lá veículos e trigo, do qual ainda somos muito dependentes. Cerca de 50% do trigo consumido internamente vem de fora. E a Argentina é o principal fornecedor. Os dois países têm um acordo automotivo e são vistos como um só mercado pelos investidores externos no setor. Os fluxos de comércio abastecem os dois países e são complementares. Com a China, esse acordo tem um forte concorrente. Preservar mercados — Não podemos criar problemas políticos. Se não tivermos esses dois mercados, só vamos vender soja e milho. O comércio bilateral entre Brasil e Argentina sempre foi muito volátil, diz Castelar. O desempenho econômico dos países e a cotação do dólar oscilam muito, o que torna o comércio mais instável. O auge das exportações para a Argentina foi nos anos 1990, por causa de um acordo automotivo. De lá para cá, as intensas crises econômicas do país vizinho foram afetando esse comércio. — Teve um crescimento muito grande das exportações. Havia uma demanda reprimida, mas foi diminuindo, e a própria Argentina não conseguiu se recuperar como se imaginava — afirma Lia Vals, da FGV.
Não é só a política: analistas explicam o que está abalando a relação comercial entre Brasil e Argentina
País vizinho é um dos principais mercados para a indústria nacional e o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, que foi responsável por 14,6% do total de suas vendas externas em 2025













