Nenhuma candidatura presidencial competitiva pode ignorar o estado, que conta com 10,32% dos eleitores aptos a votar do país 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Eleitores votam em outubro de 2024 — Foto: Custodio Coimbra/06/10/2024 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/07/2026 - 22:08 Minas Gerais: O Estado-Pêndulo que Define Eleições Presidenciais no Brasil Minas Gerais é crucial nas eleições presidenciais do Brasil, representando 10,32% do eleitorado nacional. Conhecido como "estado-pêndulo", seu comportamento eleitoral frequentemente antecipa o resultado nacional. A complexidade demográfica e geográfica de Minas reflete o Brasil, tornando-o um microcosmo do país. Em 2026, com cenários políticos incertos, Minas continuará a ser um espelho do Brasil nas urnas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Se o Brasil não é para amadores, talvez Minas Gerais não seja nem para os profissionais. Minas não é apenas um símbolo. É estatística pura. O estado chegará às urnas de 4 de outubro com 16.377.659 eleitores aptos a votar, ou 10,32% de todo o eleitorado nacional, e o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo. Por óbvio, nenhuma candidatura presidencial competitiva pode se dar ao luxo de ignorar esse volume de votos. A tradição de “estado-pêndulo“ mineiro remonta ao pré e pós-ditadura militar: Enrico Dutra (1945), Juscelino Kubitschek (1955) e Jânio Quadros (1960) venceram em Minas Gerais e foram eleitos presidentes. Somente Getúlio Vargas (1950) perdeu por pouco no estado, mas venceu a disputa nacional. Desde 1989, todos os vitoriosos lá chegaram ao Planalto. Nas edições mais recentes desse ciclo, o padrão ficou ainda mais evidente: em 2018, Jair Bolsonaro venceu em Minas por 16 pontos percentuais e se elegeu; em 2022, o estado praticamente empatou, e Lula venceu o pleito nacional por uma margem apertada. E não é trivial compreender as respostas do eleitorado mineiro. A análise mais ampla aponta que a demografia (e geografia) de Minas Gerais é a melhor subamostra do universo brasileiro. O estado tem influência da região Nordeste no Vale do Jequitinhonha; o Sul de Minas e Zona da Mata espelham muito o Sudeste; o triângulo mineiro se aproxima do Centro-Oeste; e a capital, Belo Horizonte, apesar de central, não domina o resultado eleitoral, permitindo a distribuição de votos pelo estado. Para vencer nesse estado ajuda ser de lá? Não mesmo. Aécio Neves em 2014, apesar de ter sido duas vezes governador (com positiva aprovação de seus mandatos), perdeu para Dilma Rousseff no seu próprio estado. Romeu Zema, reeleito governador em 2022 e com aprovação positiva ao deixar o Palácio da Liberdade, não lidera as pesquisas presidenciais em Minas. Aliás, o governador, apesar de um governo bem avaliado, pouco conseguiu politicamente no seu quintal: elegeu pouquíssimos prefeitos e deputados do seu partido. Então para um presidenciável vencer em Minas é preciso se alinhar politicamente com um governador bem avaliado? Não também. O estado produziu diversas configurações eleitorais conflitantes. Em 2002/2006, tivemos o Lulécio (eleitores votando em Aécio do PSDB e Lula do PT). Depois, em 2010, foi a vez do Anastadilma (Anastasia do PSDB e Dilma do PT) e, em 2022, do Luzema (Lula do PT e Zema do Novo). Todos os casos de lados opostos no espectro. Houve também alinhamentos ideológicos em 1994, 2014 e 2018. Em 1998, o eleito Itamar Franco não era alinhado nem com FHC, nem com Lula. Mas em Minas não dá para contar com um alinhamento lógico. Nada é linear. Por isso, é curioso ver a enorme preocupação dos presidenciáveis com o palanque da eleição estadual. Nada mais incerto que um palanque mineiro. Em 2026, teremos o seguinte triângulo mineiro: em uma ponta, um governo em reeleição reprovado pela metade dos mineiros (uma situação melhor que a de Bolsonaro em 2022, mas pior do que a de Dilma em 2014); em outra ponta, o ex-governador Zema, com aprovação positiva, mas sem intenção de voto; e por último Flávio Bolsonaro, com intenção de voto, mas com rejeição alta. Tudo pode acontecer, nada mais mineiro que isso. O estado dos inconfidentes segue sendo o espelho em que o Brasil se revê antes de escolher seu presidente. A pergunta aberta é, se em 2026, o eleitorado mineiro vai novamente espelhar o resultado nacional. O que se sabe é que, se o Brasil é o país em que até o passado é incerto, Minas Gerais é o melhor espelho disso.