O caso ocorreu em 4 de setembro de 2024, na Apalachee High School, no condado de Barrow, a cerca de 73 quilômetros de Atlanta. Gray tinha 14 anos na época do ataque e foi julgado como adulto. Na sexta-feira (24), ele se declarou culpado por 55 acusações, incluindo quatro homicídios. O juiz Nicholas Primm, do Tribunal Superior do Condado de Barrow, decidiu que o adolescente nunca poderá deixar a prisão após ouvir familiares das vítimas, sobreviventes, investigadores, especialistas e a avó do réu. A promotoria pediu a pena máxima. O promotor Brad Smith afirmou que Gray "não pode estar na sociedade". "Não vimos nenhuma evidência de que ele tenha capacidade de desenvolver uma consciência ou de valorizar plenamente a vida humana", disse. A defesa argumentou que o adolescente ainda poderia mudar. O advogado Charlton Allen afirmou que Gray "não está irreversivelmente destruído" e disse que a possibilidade de liberdade condicional poderia representar uma "oportunidade de esperança". Ataque fez quatro vítimas em escola da Geórgia O ataque matou os professores Richard Aspinwall, de 39 anos, e Cristina Irimie, de 53 anos, além dos estudantes Mason Schermerhorn e Christian Angulo, ambos de 14 anos. Outras nove pessoas ficaram feridas. Entre elas, um professor e oito alunos. Sete dos estudantes foram atingidos por tiros. Familiares das vítimas falaram durante a audiência de sentença e, em sua maioria, pediram que Gray recebesse prisão perpétua sem direito à liberdade condicional. Shayna Aspinwall, esposa do professor Richard Aspinwall, afirmou que os sobreviventes terão de lidar com "uma sentença de vida de luto e trauma". Investigação apontou interesse por ataques em massa Durante a audiência, investigadores afirmaram que Gray demonstrava admiração por outros autores de ataques em massa e conversava sobre esses crimes em comunidades online. Segundo os promotores, ele falava sobre a possibilidade de ganhar notoriedade com um ataque em uma escola e acompanhava comentários sobre o próprio caso depois do massacre. A promotoria apresentou gravações de ligações entre Gray e sua mãe, Marcee Gray, feitas enquanto ele estava em um centro de detenção juvenil. Nas conversas, segundo os investigadores, ele pediu que a mãe verificasse o que as pessoas comentavam sobre ele na internet. Quando ela relatava desenhos e mensagens de apoio ao adolescente, ele perguntava sobre o alcance das publicações. O promotor Brad Smith afirmou que Gray planejou o ataque para construir uma imagem dentro de uma comunidade online dedicada a crimes reais. "O tiroteio não era o fim do plano. O tiroteio era apenas uma etapa do plano", disse. Avó diz que adolescente precisava de ajuda A defesa afirmou que Gray teve uma infância marcada por instabilidade e que encontrou apoio em comunidades virtuais porque não recebia a ajuda necessária em casa. A avó materna do adolescente, Debbie Polhamus, disse que ele passou a apresentar comportamento agressivo antes do ataque e que tentou convencer os pais a buscar ajuda. "Eu tentei ajudar Colt porque ninguém mais estava ajudando", afirmou. Ela disse que visita o neto semanalmente no centro de detenção e que ele apresentou melhora com tratamento e medicamentos. Segundo ela, Gray passou a ler mais e pretende estudar para obter um diploma equivalente ao ensino médio. O jovem foi colocado em um programa de acolhimento enquanto aguardava o julgamento porque seu pai estava preso e havia restrições ao contato com a mãe. A diretora da Divisão de Serviços para Crianças e Famílias da Geórgia, Candice Broce, afirmou que o adolescente apresentou melhora durante o período de detenção. Segundo ela, após o início do tratamento e a restrição de contato com a mãe, funcionários disseram que a mudança "essencialmente o transformou em uma criança diferente".