Em junho, Flávio acionou o STF após uma declaração em que Lula falou em forca para “traidores da pátria” Flávio Bolsonaro: “Cada manifestação pública” de Lula “transcende o campo da opinião privada” — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, reiterou, nesta terça-feira (28), um pedido para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja investigado por suposta ameaça e incitação ao crime. A solicitação foi enviada ao ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em junho, Flávio acionou o STF após uma declaração em que Lula falou em forca para “traidores da pátria”. O episódio ocorreu durante a inauguração do Campus Catalão do Instituto Federal Goiano. O presidente comentava o encontro de Flávio com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pouco antes de os EUA anunciarem um tarifaço ao Brasil. Desde então, integrantes do governo passaram a relacionar o senador às tarifas. Ao reiterar o pedido de investigação, Flávio disse que Lula voltou a associar a figura de traidor ao enforcamento durante participação na convenção do PDT, em 20 de julho. “Antigamente, traidor era enforcado, porque trair a pátria é algo muito grave”, disse Lula na convenção. Em seguida, o presidente afirmou que “temos hoje vários traidores que vão aos EUA pedir para impor punição ao Brasil”, prosseguiu o petista, sem citar Flávio nominalmente. “Longe de recuar diante da apresentação da notícia-crime, o presidente Lula voltou a proferir, publicamente, falas de idêntico teor àquelas já relatadas nestes autos. Trata-se de reiteração do exato modus operandi aqui noticiado, circunstância que reforça, a não mais poder, o dolo do presidente”, disse a defesa de Flávio. De acordo com o pedido, “cada manifestação pública” de Lula “transcende o campo da opinião privada” e “irradia efeitos concretos sobre o comportamento de milhões de cidadãos”. Assim, prossegue a defesa de Flávio, “quando essa figura pública associa um adversário político à figura de um ‘traidor’ que deveria ser ‘enforcado’, o risco à integridade física e à própria vida do noticiante [Flávio] deixa de ser abstrato para se tornar concreto e atual”. O pedido de investigação foi inicialmente ajuizado em 11 de junho. Na ocasião, a defesa do senador disse que a declaração de Lula em Catalão poderia configurar ameaça e incitação ao crime. Os advogados também citaram o atentado a Jair Bolsonaro, em 2018. “A história recente demonstra que a tentativa de assassinato de Jair Bolsonaro não foi o único exemplo de atentados políticos. Infelizmente, está se tornando cada vez mais comum que pessoas, independentemente do espectro ideológico, em vez de utilizarem da retórica e da argumentação, recorram à violência para fazer prevalecer seus posicionamentos”, afirmaram na ocasião. Em Catalão, Lula disse que os filhos de Bolsonaro são “traidores da pátria” e “vendilhões da pátria”. “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele. E são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões dos brasileiros. É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som, são traidores”, declarou. O Valor entrou em contato com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
Flávio reitera pedido ao STF contra Lula por declaração sobre traidores da pátria
Em junho, Flávio acionou o STF após uma declaração em que Lula falou em forca para “traidores da pátria”










