Pré-candidato à Presidência da República pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro (RJ) afirmou que pretende acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por supostos crimes de ameaça e incitação ao crime. A reação ocorreu após declarações feitas pelo petista durante evento em Catalão (GO). Em nota, Flávio disse que “Lula afirmou que o senador deveria ter o mesmo destino que Tiradentes e ser morto por enforcamento”. Na inauguração do Campus Catalão do Instituto Federal Goiano, Lula culpou o adversário pela ameaça feita pelo governo dos Estados Unidos de aplicar uma nova taxa de 25% aos produtos brasileiros. Ao discursar, o presidente declarou: “Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem.” A informação resgatada por Lula é incorreta, Dos Reis foi de fato o delator da Inconfidência Mineira, mas não foi enforcado – Tirantes foi. Antes, ele havia dito que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro são “traidores da pátria” e “vendilhões da pátria”. “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele. E são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões dos brasileiros. É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som, são traidores”, declarou. Lula criticou, ainda, um dos filhos de Bolsonaro, sem citá-lo nominalmente. “Esse cidadão hoje aparece na imprensa dizendo: ‘Eu não falei nada, eu não falei nada’. Todo covarde é assim, fala a m* que fala e depois não tem coragem de assumir o que fala, fica tentando mentir”, disse em referência ao senador. Mais cedo, em entrevista à rádio Itatiaia, Flávio afirmou que pediu diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que as empresas brasileiras não fossem alvo das tarifas. Ele também disse que ameaça ao Pix "é mentira" e acusou Lula de fazer "terrorismo" na "cabeça dos brasileiros". No final da noite de segunda-feira (1), o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) anunciou a conclusão de uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras e propuseram a cobrança da taxa de 25%. Uma das queixas apresentadas pelo órgão é sobre o Pix, classificado como um modelo que prejudica provedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA. A proposta ainda precisa ser ratificada por Trump.