Entidade vai revisar para cima estimativa para o ano, que em janeiro indicava expansão de apenas 16% em cenário de juros altos Com emprego e renda se mantendo fortes no país, apesar dos juros altos, o desempenho do crédito imobiliário foi melhor que o esperado no primeiro semestre de 2026, com crescimento de 23% frente ao mesmo período do ano passado. O avanço levará a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) a revisar suas projeções para o ano, segundo o presidente da instituição, Michel Cury. A estimativa divulgada em janeiro indicava expansão de 16% e volume aproximado de R$ 375 bilhões. “O setor mantém trajetória positiva, com desempenho acima das expectativas até junho, mas depende de uma base de funding mais ampla e diversificada”, afirmou Cury, em entrevista coletiva nesta terça-feira (28). Ele fez também a ressalva de que o crescimento no semestre ocorreu a partir de uma base de comparação fraca no financiamento à construção do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) no início de 2025 e que o resultado deste ano representa um retorno aos patamares observados entre 2021 e 2024. Por outro lado, as concessões com recursos do FGTS, sobretudo no programa do governo federal Minha Casa Minha Vida, alcançaram patamar expressivo, com avanço de 22%. E, no próprio SBPE, o financiamento para aquisição de imóveis cresceu 12%. A entidade informou que as concessões de crédito imobiliário no Brasil somaram R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, enquanto entre janeiro e junho do ano passado o total havia sido de R$ 147,1 bilhões. Ao todo, foram financiados aproximadamente 850 mil imóveis entre janeiro e junho, considerando operações com recursos de SBPE, FGTS e fontes livres. Cury, que assumiu a presidência da Abecip em março deste ano, frisou, durante a apresentação dos dados, que a poupança não consegue mais, isoladamente, acompanhar a expansão da demanda e que é preciso obter fontes complementares de financiamento. No primeiro semestre de 2026, a captação líquida ficou negativa em R$ 31 bilhões, ante retiradas líquidas de R$ 38 bilhões no mesmo período de 2025. O saldo permaneceu praticamente estável, passando de R$ 762 bilhões para R$ 764 bilhões. Ao mesmo tempo, a carteira de crédito imobiliário vinculada ao SBPE chegou a R$ 601 bilhões, o que equivale a 121% dos recursos que por lei precisam ser direcionados ao segmento (de R$ 764 bilhões no SBPE em junho deste ano, R$ 535 bilhões correspondem ao que é exigido por lei para a habitação). Cury citou instrumentos de captação bancária, como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs), como fontes que vêm ganhando relevância para compensar a poupança. Os financiamentos com recursos do SBPE foram os que tiveram o maior avanço, com concessões para aquisição e construção que somaram R$ 93,7 bilhões, o que corresponde a um crescimento de 29% frente aos R$ 72,9 bilhões do mesmo período de 2025. Já no caso do crédito para construção, o volume passou de R$ 12,8 bilhões para R$ 26,5 bilhões, alta de 107%. Para aquisição de imóveis, o volume de financiamentos foi de R$ 67,2 bilhões, um aumento de 12%. Mais de 70% das operações foram feitas para compra de imóveis usados, de um total de 130 mil unidades no semestre. As concessões via FGTS, por sua vez, atingiram R$ 77,6 bilhões, com impulso do Minha Casa Minha Vida. Já os financiamentos com recursos livres tiveram queda de 8% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2025, alcançando R$ 9,6 bilhões frente aos R$ 10,4 bilhões do ano anterior. Esses empréstimos são as operações que não usam o funding da poupança (SBPE) nem do FGTS e servem principalmente para imóveis de valor mais alto ou fora do padrão regulado, como os imóveis comerciais ou a aquisição de segundo imóvel para investimento. Ainda conforme os dados da Abecip, o Crédito com Garantia de Imóvel (CGI) somou R$ 6,67 bilhões entre janeiro e junho de 2026, o que significa um crescimento de 30,9% frente aos R$ 5,10 bilhões do mesmo período de 2025. O valor médio dos empréstimos foi de R$ 267 mil, com prazo médio de 13 anos e relação média entre o valor do crédito e o imóvel dado em garantia (LTV) ficou em 33%. Cury, da Abecip: setor cresce sobre base de comparação fraca, e avanço requer base de funding mais ampla e diversificada — Foto: Divulgação