A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira mostra que mais da metade dos eleitores pernambucanos (55%) indica voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em outubro. Seu principal concorrente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), marca 21%. É a primeira sondagem do instituto a medir o pulso do eleitorado em Pernambuco — onde o petista pode ter um "palanque duplo" apesar do apoio formal ao ex-prefeito da capital João Campos (PSB) — desde a oficialização das candidaturas. No levantamento, Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) têm 2% e aparecem à frente, numericamente, de Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), que marcam 1%. Os demais postulantes ao Planalto não pontuaram. Os indecisos são 8%, e aqueles que indicam voto em branco, nulo ou que não vão votar somam 10%. Para 69% dos entrevistados no estado, a escolha de voto para presidente já é definitiva — patamar que subiu 15 pontos desde a sondagem anterior, de abril. A proporção dos que ainda avaliam mudar recuou de 44% a 30%. Num eventual segundo turno, Lula tem 58% a 24% contra Flávio e 58% a 16% contra Caiado, candidato do PSD da governadora Raquel Lyra. Contra Zema e Renan Santos, a liderança do petista num embate direto é ainda mais ampla: 60% a 15% e 59% a 15%, respectivamente. Em Pernambuco, a rejeição de Lula foi de 34% a atuais 37%. Já a de Flávio avançou fora da margem de erro de três pontos percentuais: de 63% a 67%. Os dados ainda apontam que a aprovação do governo Lula no estado é de 61%, num recuo no limite da margem desde abri, enquanto a desaprovação segue em 34%. Na disputa pelo governo estadual, a pesquisa mostra que Raquel Lyra (PSD) tem 43% das intenções de voto para o governo de Pernambuco ante 37% de João Campos (PSB). A atual chefe do Executivo estadual assumiu a liderança da disputa, numericamente, em relação à sondagem do instituto divulgada em abril, quando o ex-prefeito da capital tinha 42% a 34%. O cenário de momento aponta um empate técnico no limite da margem de erro, de três pontos percentuais. No novo levantamento, os demais candidatos — Camila Falcão (UP), Ivan Moraes (PSOL) e Renan Hallais (Missão) — pontuam 1%. Os indecisos são 11%, e aqueles que indicam voto em branco/nulo ou que não irão votar somam 6%. Veja os números: Raquel Lyra (PSD): 43%João Campos (PSB): 37%Camila Falcão (UP): 1%Ivan Moraes (PSOL): 1%Indecisos: 11%Brancos e nulos: 6% A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas presenciais entre os dias 22 a 26 de julho. Foram ouvidos 900 eleitores de Pernambuco de 16 anos ou mais no estado. O levantamento está registrado sob os números BR-03810/2026 e PE-09649/2026, possui nível de confiança de 95% e margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos. Segundo o levantamento, para a maioria do eleitorado pernambucano (58%), a decisão de voto já é definitiva. Mas 41% afirmam que ainda podem mudar de ideia caso algo aconteça. Outro 1% não soube ou não respondeu. Os dados mostram que seis em cada dez eleitores de João Campos (66%) se dizem decididos do voto, assim como 58% de Raquel Lyra (65%). Na eleição espontânea, em que o entrevistado é instado a citar sua opção de voto sem ver antes de uma lista de candidatos, Raquel Lyra soma 25%, contra 18% de João Campos. (Neste caso, os indecisos são 54%, e outros 3% indicam voto em branco, nulo ou a intenção de não votar.) Em abril, 26% dos entrevistados mencionaram diretamente o ex-prefeito e 21%, a atual governadora. Segundo turno A Genial/Quaest também apontou Raquel Lyra na frente num eventual segundo turno, com 45% das intenções de voto, enquanto João Campos registra 39%. Mais uma vez, houve uma inversão na posição dos candidatos: na sondagem anterior, o ex-prefeito aparecia à frente no embate direto, com 46% a 39%. Os indecisos somam 8%, mesmo número daqueles que indicam voto em branco, nulo ou a intenção de não votar. Avaliação do governo de Raquel Lyra Segundo a Genial/Quaest, a aprovação do governo de Raquel Lyra saltou 17 pontos desde agosto do ano passado — em abril, chegou a 62% e, agora, 68%. A desaprovação, na mesma toada, recuou 22 pontos desde agosto, de 45% a 35% e, no novo levantamento, 23%. Outros 9% não souberam/não responderam. A pesquisa mostra ainda que, de agosto do ano passado para cá, o percentual de eleitores que tinham uma avaliação "negativa" do governo de Raquel Lyra caiu treze pontos, de 28% a 15% (o recuo maior se deu até abril, de dez pontos, com oscilação dentro da margem de erro desta vez). A avaliação "regular" da gestão estadual caiu sete pontos, de 43% a 36%, voltando ao patamar registrado em agosto. Agora, a avaliação positiva assumiu a liderança, com alta de nove pontos desde o último levantamento (36% a 45%). O novo levantamento mostra, no cenário atual, que a maioria dos eleitores (57%) acha que Raquel Lyra merece se reeleger (mesmo patamar de abril; em agosto, eram 43%). Aqueles que se opõe à reeleição dela eram maioria na sondagem de agosto (54%), mas nessa pesquisa e em abril somam 36%. Desta vez, 7% não souberam/não responderam. Os dados da Genial/Quaest mostram que, em julho, 24% querem que o governo estadual "mude totalmente" — em abril, eram 31%. Aqueles que defenderam a iniciativa de "mudar apenas o que não está bom" passaram de 36% da sondagem anterior para atuais 41%. E 3% não souberam responder. Conhecimento e rejeição de candidatos Os dados da Genial/Quaest apontam que Raquel Lyra é a candidata que os eleitores pernambucanos, em maior proporção, "conhecem e votariam": 59%. Enquanto isso, 35% a conhecem, mas não votariam e 6% não a conhecem. Em relação a João Campos, 57% afirmaram que o conhecem e votariam nele. Outros 9% indicaram que não o conhecem. Mas, desta vez, 34% apontaram que "conhecem e não votariam" no ex-prefeito — seis pontos a mais que o registrado em abril (28%). Os demais candidatos têm o desafio de serem mais conhecidos pelo eleitorado: 84% desconhecem Ivan Moraes (PSOL) e 92% afirmam não saber quem é Renan Hallais (Missão) nem Camila Falcão (UP). A disputa eleitoral em Pernambuco Herdeiro repaginado da cultura política iniciada pelo bisavô Miguel Arraes e seguida pelo pai, Eduardo Campos, dois ex-governadores, João Campos deixou a prefeitura da capital no início de abril com aprovação elevada. Se o trabalho à frente da cidade o faz contar com a força eleitoral dela e dos municípios do entorno, o sobrenome e o imaginário o ajudam a acessar outras regiões, assim como as redes sociais. Já Raquel Lyra, ex-prefeita de Caruaru, tenta convencer os eleitores de que merece um segundo mandato. Ambos, desde o ano passado, reforçaram movimentos para se aproximar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Raquel Lyra trocou o PSDB pelo PSD e construiu pontes com o governo federal, além de reforçar laços com parcelas do PT local. A sigla de Lula, ao menos formalmente, fechou apoio a João Campos, que definiu sua chapa com o senador petista Humberto Costa e a ex-deputada Marília Arraes (PDT) na corrida ao Senado. O vice de Campos será Carlos Costa, irmão do ex-ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho, que chegou a confirmar a intenção de disputar a eleição majoritária, mas mudou de planos e anunciou pré-candidatura a deputado após "amplo diálogo" com Lula. Em junho, Lula gravou um vídeo declarando apoio a João Campos. A divulgação da peça ocorreu uma semana após o presidente do PT e coordenador da campanha do petista, Edinho Silva, ter desautorizado publicamente declaração do ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) de que Lula teria um duplo palanque no estado, onde o ex-prefeito de Recife concorre contra a governadora. Em entrevista ao GLOBO, Dias indicou que o presidente apoiaria tanto Campos quanto Lyra no estado. A declaração do ministro gerou revolta no entorno do ex-prefeito, que rechaçou a possibilidade de um duplo palanque. A expectativa é que haja pressão de Campos para que Lula faça agendas ao seu lado em Pernambuco, estado natal do presidente. Mas o comando da campanha à reeleição prevê que Lula possa evitar estados com palanques divididos em agendas no primeiro turno. Aliados de Lyra minimizam o apoio formal do PT a João Campos afirmando que parte da base do partido está com a candidata à reeleição. Na campanha, a expectativa é que a governadora propague entregas feitas na área de segurança e infraestrutura, além de saúde e educação, mas sem deixar de exaltar parcerias com Lula. Em janeiro, a disputa entre João Campos e Raquel Lyra se acirrou em meio ao monitoramento feito por policiais civis da rotina do então secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro. Revelado pela TV Record, o caso virou uma nova frente de embate entre o ex-prefeito, que denunciou "uso eleitoral" das forças de segurança para "perseguição", e a governadora, que defendeu a legalidade da ação após o recebimento de uma denúncia anônima sobre o suposto pagamento de propina sendo feito a um servidor público de Recife. As demais candidaturas ao governo mal pontuam nas pesquisas. Parte disso se deve à desarticulação do PL, partido da família Bolsonaro, em terras pernambucanas. Até então a principal figura da sigla no estado, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado se desfiliou por insatisfações internas. A rejeição ao bolsonarismo é alta em Pernambuco. Este mês, o diretório do Partido Liberal (PL) em Pernambuco cancelou um evento que aconteceria em Recife com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O pré-candidato à Presidência decidiu, na ocasião, ficar mais um dia em Washington enquanto tentava argumentar contra a imposição do tarifaço americano e contornar os danos à campanha da associação do bolsonarismo ao trumpismo. Por lá, o PL ainda não definiu se lançará candidatura própria ao Senado, discussão considerada estratégica por dirigentes locais para fortalecer o palanque ao Planalto. Em meio a articulações do diretório nacional por uma aliança com Flávio, o Republicanos de Pernambuco declarou apoio a Lula.
Genial/Quaest: Lula tem 55% das intenções de voto em Pernambuco e Flávio Bolsonaro, 21%
Levantamento aponta que petista venceria com folga no estado todos os concorrentes em eventual segundo turno










