O petróleo Brent para entrega em setembro encerrou em queda de 8,70% e o WTI com vencimento para o mesmo mês despencou 7,50% Após um fim de semana sem hostilidades e com sinais de avanços diplomáticos entre os Estados Unidos e o Irã, os contratos futuros do petróleo despencaram nesta segunda-feira (27) e voltaram a operar abaixo da faixa de US$ 90 por barril. O mercado dissolve parte do prêmio de risco da commodity, apesar do tráfego pelo Estreito de Ormuz permanecer comprometido e novos ataques terem acontecido na região do Golfo Pérsico. O petróleo Brent para entrega em setembro encerrou em queda de 8,70%, cotado a US$ 88,36 por barril, na ICE. O WTI com vencimento para o mesmo mês despencou 7,50%, cotado a US$ 82,61 por barril, na Nymex. O petróleo já exibia forte queda desde o início da sessão, após os EUA e o Irã terem interrompido as hostilidades, que tinham completado 13 dias consecutivos. O presidente americano, Donald Trump, afirmou, hoje, que mantém "boas conversas" com o Irã e que “há uma boa chance de que algo aconteça”. O republicano, porém, havia dito mais cedo que não está disposto a dar muito tempo à diplomacia e que está pronto para uma "forte ação militar" caso as negociações falhem. Vale notar também que as operações militares continuaram na região do Golfo Pérsico. Jordânia e Iraque relataram ataques por drones em seus territórios, enquanto os rebeldes houthis, do Iêmen, assumiram a autoria de uma ofensiva contra a Arábia Saudita, mirando estruturas de transporte de petróleo. Exportações despencam 82% Apesar do alívio nos preços e a retomada das tentativas de resolução por vias diplomáticas, o cenário geral para o mercado de energia é “brutal”, na avaliação de Phil Flynn, do Price Futures Group. “As exportações de petróleo bruto do Golfo despencaram 82%, passando de 18,8 milhões de barris por dia em janeiro, para apenas 3,4 milhões em junho. O Iraque, o Kuwait e o Catar — todos totalmente dependentes do Estreito de Ormuz — viram suas exportações caírem a zero. As vendas dos Emirados Árabes Unidos mantêm-se em um nível que é apenas uma sombra do que eram anteriormente”, observa. “Em resumo para o mercado: a oferta do Golfo continua severamente limitada, o desvio da Arábia Saudita já não é a solução completa que parecia em março e o aperto estrutural permanece intacto”, acrescentou Flynn, em nota. — Foto: Pixabay