Equipamentos podem passar por perícia e até serem recolhidos; forças de segurança têm 30 dias para cumprir a medida 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fuzil da PM encontrado no carro de Márcio Canella durante operação da Polícia Federal — Foto: Divulgação / PF / 07-07-2026 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/07/2026 - 10:12 Rio de Janeiro decreta recadastramento de armas policiais após apreensão com ex-prefeito Em resposta à descoberta de um fuzil da PM com o ex-prefeito Márcio Canella, o Estado do Rio de Janeiro decretou recadastramento de armas de uso restrito das polícias. Órgãos têm 30 dias para cumprir a medida, sob risco de recolhimento das armas. A ação visa melhorar o controle patrimonial e rastreabilidade, identificando irregularidades. A medida ocorre após a operação que prendeu Canella por porte ilegal de arma. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Todas as armas de uso restrito — fuzis, carabinas e submetralhadoras — das polícias Civil e Militar que estão cedidas a outros órgãos ou acauteladas por pessoas físicas, ou jurídicas, passarão por um recadastramento. A determinação do governador em exercício do Rio, o desembargador Ricardo Couto, publicada nesta segunda-feira, ocorre três semanas após um fuzil da PM ser encontrado no carro do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), durante operação da Polícia Federal. Na ocasião, o pré-candidato ao Senado acabou preso por porte ilegal de arma de uso restrito. De acordo com o decreto, publicado em Diário Oficial, as polícias Civil e Militar, além dos "demais órgãos integrantes do Sistema Estadual de Segurança Pública", têm 30 dias para cumprirem a medida. Caso não seja feito o recadastramento, o armamento está sujeito a recolhimento. As armas também podem ser recolhidas pelas autoridades caso sejam verificadas as seguintes situações: perda da condição funcional que justificou o acautelamento; término do vínculo jurídico que autorizava a posse do armamento; inexistência de autorização legal ou administrativa para a manutenção da cautela; ou qualquer outra perda dos requisitos que fundamentaram o acautelamento. Armas podem passar por perícia Fica determinada ainda que a campanha de recadastramento seja divulgada "ostensivamente" pelo órgão responsável pela gestão do armamento. Quem está em posse dessas armas deverá apresentar ao Estado um formulário contendo os seguintes itens: Identificação técnica da arma: com número de série, modelo, fabricante, calibre e ano de fabricação;Qualificação completa do detentor, custodiante ou responsável pela guarda do armamento;Termo de responsabilidade atualizado: assinado pelo responsável legal do órgão que recebeu a cessão da arma de uso restrito;Indicação da localização precisa de onde a arma está armazenada;Cópia da documentação que fundamentou a cessão ou o acautelamento;Declaração de permanência das condições que justificaram a manutenção da cautela. As autoridades poderão também exigir a apresentação física do armamento, para perícia ou conferência de balística. Polícia prende dois condenados por estupro em Bonsucesso: expulsos do Complexo da Maré, dupla dormia dentro de carro Ao fim do período de 30 dias, as polícias do Rio deverão encaminhar ao Palácio Guanabra um relatório informando quantos fuzis, carabinas e submetralhadoras foram recadastrados, e quantos acabaram recolhidos. As situações de irregularidade identificadas, as providências adotadas, e uma proposta de recadastramentos periódicos dessas armas de uso restrito também deverão constar nesse balanço final. "Cumpre destacar que a proposta não disciplina matéria afeta à competência privativa da União para legislar sobre material bélico, limitando-se a estabelecer procedimentos administrativos internos voltados ao controle do patrimônio estadual e à organização e ao funcionamento da Administração Pública Estadual", destacou o secretário estadual da Casa Civil, Flávio Willeman, ao enviar ao governador ofício, na última quinta-feira, com os motivos que justificavam a medida. Fuzil de Canella foi acautelado para segurança pessoal Segundo o decreto de Couto, a medida se dá por conta da "necessidade de aprimorar os mecanismos de controle patrimonial, rastreabilidade e fiscalização dos armamentos pertencentes ao patrimônio público estadual". Na semana passada, Willeman destacou ao governador em exercício que o recadastramento permitirá "a identificação de eventuais situações de irregularidade e a adoção das providências necessárias ao imediato recolhimento dos armamentos quando cabível". Esse ato administrativo ocorre três semanas após nova fase da Operação Unha e Carne, que mirava a ligação de agentes públicos com organizações criminosas. Então alvo apenas de busca e apreensão, Márcio Canella acabou preso por ter em seu carro um fuzil da PM. Esse armamento, conforme a PM confirmou ao blog, foi registrado em nome do sargento Alexandre Paixão da Silva Júnior, policial responsável pela escolta de Canella, e retirada do paiol da reserva de material bélico do Quartel-General da corporação, no Centro do Rio. Em um rearranjo interno, o policial passou a ser lotado na Corregedoria do Detran-RJ, que, segundo a própria autarquia, não utiliza armas de calibre de uso restrito. A Corregedoria da PM também investiga o caso.