Tecnologia inovadora da empresa, que substitui teste em animais, é aplicada desde 1989 e vai além da indústria da beleza 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pesquisadoras do laboratório EPISKIN avaliam tecidos humanos reconstruídos, alternativa validada aos testes em animais — Foto: Divulgação A indústria da beleza mudou os rumos de produção do segmento no Brasil, alcançando medidas que garantem um mercado cada dia mais alinhado à proteção do meio ambiente. Há um ano, a sanção da Lei 15.183/2025 proibiu testes em animais durante o processo de fabricação de cosméticos, perfumes e itens de higiene em todo o país. O marco legal é resultado de esforços coletivos dos representantes do setor, da comunidade científica, dos órgãos reguladores e das organizações de bem-estar animal. O Grupo L’Oréal, por meio de sua subsidiária EPISKIN, contribuiu para a aprovação da legislação com a disponibilização de tecidos reconstruídos validados, ferramentas essenciais para a transição regulatória, e com a capacitação de pessoas para utilizar os materiais. A mudança impôs novos métodos de testagem para todo o setor. — Observamos uma adoção sólida de métodos alternativos em toda a indústria. Enquanto as principais empresas do setor de cosméticos já haviam iniciado essa transição, o efeito multiplicador é que foi a maior surpresa, pois influenciamos setores que vão além da beleza, como as indústrias de materiais escolares, de brinquedos, de agroquímicos, além do setor farmacêutico e de dispositivos médicos. A transição para métodos in vitro está se tornando o novo padrão de segurança industrial no Brasil — avalia Vanja Dakic, gerente de EPISKIN Brasil. O Grupo L’Oréal encerrou os testes de produtos em animais em 1989. O compromisso ético com o bem-estar animal está entre os pilares da empresa, que, há mais de 40 anos, investe em soluções ligadas à biotecnologia, como o desenvolvimento de pele humana reconstruída. A empresa desenvolveu a tecnologia EPISKIN, que usa células isoladas de fragmentos de tecidos doados com consentimento do paciente. A engenharia de tecidos permite que a estrutura da pele e da córnea humanas seja replicada, criando ferramentas confiáveis para a avaliação de reação de novos ingredientes que estarão presentes nos produtos. Conhecidos como tecidos humanos reconstruídos, os modelos são utilizados para garantir tanto a segurança quanto a eficácia de ingredientes, formulações e até mesmo de produtos em atividades de pesquisa, inovação e desenvolvimento realizadas pela comunidade científica, especialmente na América Latina, onde o laboratório se tornou referência e ajuda a acelerar os processos da região. A empresa já contribuiu para a validação de 17 métodos alternativos aprovados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). — Acreditamos que os métodos que mimetizam a fisiologia humana são mais assertivos, preditivos e confiáveis do que os modelos animais, que possuem fisiologias distintas das nossas — defende Vanja. — Eles possuem uma estrutura histológica muito semelhante à dos nossos próprios tecidos, permitindo uma resposta biológica real. Por exemplo, os modelos de pele humana reconstruída (RHE) simulam a epiderme, enquanto os modelos de córnea (HCEs) replicam seu epitélio. Ambos reagem a estímulos — como agentes químicos, luz ou estresse — liberando fatores específicos que nos permitem prever o potencial toxicológico ou irritante de um composto com alta precisão — explica a gerente do laboratório. A aplicação dos tecidos humanos reconstruídos, alternativa validada aos testes em animais — Foto: Divulgação/GLab Os métodos foram desenvolvidos para serem usados na avaliação de ingredientes puros, garantindo a segurança de cada componente das fórmulas. Contudo, a partir de adaptações técnicas, é possível avaliar formulações e ingredientes tópicos, cobrindo os principais parâmetros de segurança para a pele e a região dos olhos. — É possível avaliar a segurança de ingredientes e formulações tópicas, cobrindo os principais parâmetros de avaliação de segurança para a pele e a região dos olhos. Além disso, em colaboração com associações internacionais do setor, estamos desenvolvendo guias robustos que avaliam a segurança com alta precisão, considerando condições reais de uso para cada tipo de produto, o que eleva a confiabilidade dos resultados — conta Vanja. A dinâmica dos testes é padronizada por protocolos mundialmente reconhecidos, que garantem a precisão dos resultados. — Aplicamos a substância teste em contato com o tecido reconstruído por um período fixo, predefinido. Utilizamos um reagente que, na presença de células vivas, muda de cor, de amarelo para roxo. Se essa mudança de cor não ocorrer, sinalizamos a presença de toxicidade. É uma ferramenta objetiva que garante a segurança do consumidor final — detalha a gerente.