O SUS é talvez a maior conquista civilizatória do Brasil. Nenhum país com mais de 200 milhões de habitantes ousou ter um sistema de saúde assim 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Zé Gotinha — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 16:54 Vacinação no SUS Reduz 52% Casos de Síndrome Respiratória em Bebês O artigo destaca o Sistema Único de Saúde (SUS) como a maior conquista civilizatória do Brasil, superando expectativas com a redução de 52% nos casos de síndrome respiratória aguda grave em bebês devido à vacinação contra o VSR. A adesão das gestantes foi alta, com 90% de cobertura, resultando em significativas quedas nas internações. Além disso, houve progressos na vacinação infantil, com uma drástica redução de crianças sem doses da vacina Pentavalente. A gestão eficaz e o combate à desinformação foram cruciais para essas conquistas, ressaltando o papel do SUS como um sistema universal e gratuito que garante saúde como direito, não mercadoria. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Mais uma vez o SUS nos dá motivo para comemorar. Os avanços trazidos pela vacinação no Brasil são muito significativos. O mais impressionante deles é a redução, em 2026, de 52% nos casos de síndrome respiratória aguda grave pelo Vírus Sincicial Respiratório, o VSR, principal causa da bronquiolite — uma queda de mais da metade das internações de bebês pela doença. Isso significa a redução de mortes, sequelas e sofrimento para inúmeras famílias. Essa grande conquista é atribuída à vacinação das gestantes contra o VSR, indicada a partir da 28ª semana de gravidez. A vacina estimula a produção de anticorpos pela mãe, que são transferidos ao bebê durante a gestação, promovendo sua proteção nos primeiros 5 a 6 meses de vida, quando o risco de casos graves pelo VSR é mais elevado. A adesão das gestantes foi maciça, algo extraordinário nesses tempos de negacionismo vacinal. Com mais de um milhão de doses aplicadas, a cobertura ficou próxima dos 90%. O resultado: no primeiro semestre de 2026 foram registrados 6.674 casos graves em bebês menores de seis meses (dados do Ministério da Saúde), contra 14.061 no mesmo período de 2025. É bom lembrar que o SUS também oferece outra arma eficaz contra esse perigoso vírus: o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal muito eficaz para evitar casos graves, para prematuros de até 37 semanas e crianças de até 23 meses com comorbidades. Outro dado que representa uma excelente notícia é a redução progressiva do número de crianças com zero dose de vacina, isto é, que não receberam nenhuma dose da vacina Pentavalente. O número caiu de 360 mil em 2023 para 250 mil em 2024 e apenas 50 mil em 2025 (dados do Unicef – OMS), numa progressão fantástica. Estamos recuperando nossas altas coberturas vacinais, que sempre nos orgulharam e protegeram nossa população, depois de uma década de queda. A gestão do Ministério da Saúde no governo Lula, a competência das equipes, o combate à desinformação pelo governo, influenciadores e grande mídia, o esforço de secretarias municipais de saúde, entre as quais o Rio se destaca, são fatores que levaram a esse avanço significativo. O SUS é talvez a maior conquista civilizatória do Brasil. Nenhum país com mais de 200 milhões de habitantes ousou construir um sistema de saúde universal, integral e gratuito — e nós o fizemos. Ele está na vigilância sanitária que protege nossas fronteiras, regulamenta e fiscaliza nossos remédios e alimentos. Está na prevenção e no saneamento, na vacinação que erradicou doenças graves. Vai das equipes de Saúde da Família, que conhecem cada morador e prestam cuidado integral nas comunidades, ao maior sistema público de transplantes do mundo. Vai da unidade básica ao hospital de alta complexidade, do consultório dentário à ambulância UTI do SAMU, do pré-natal à cirurgia mais sofisticada, da farmácia popular à quimioterapia de última geração. Tudo isso sem que o dinheiro se interponha na relação entre quem cuida e quem é cuidado. Muito diferente de países como os EUA, onde uma internação pode significar a falência familiar. O SUS tem problemas: filas, carências, desafios de gestão e subfinanciamento crônico — mas ainda assim é o que garante que a saúde seja direito de todos, e não mercadoria. Se a seleção brasileira não nos deu motivo de orgulho, é bom lembrar que temos o SUS: uma política pública que cuida, protege, distribui renda, trata e previne doenças, atuando do nascimento aos cuidados paliativos, do individual ao coletivo, à qual têm direito todos os mais de 200 milhões de brasileiros. Apesar das suas falhas, que não poderiam deixar de existir num sistema tão complexo e ambicioso, ele representa uma conquista gigantesca e um motivo de tremendo orgulho para todos nós.