PUBLICIDADE ‘Não se reprima’ mostra o impacto da boy band porto-riquenha nas vidas de fãs como Preta Gil e de ex-membros, como Johnny Lozada. ‘Algumas meninas não conseguiam falar, outras começaram a chorar e algumas vinham nos abraçar e não nos soltavam mais’, diz o cantor 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O grupo Menudo, em 1985, em show no Maracanãzinho (RJ) — Foto: Paulo Moreira RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você A série documental "Não se reprima", do Canal Brasil, resgata a febre do grupo porto-riquenho no país. A produção traz depoimentos de fãs e ex-integrantes. O ex-membro Johnny Lozada relembra a rotina exaustiva na infância e explica a recusa em participar da turnê comemorativa de 50 anos da banda. Com direção de Rafael Terpins, a obra também apresenta visões de opositores ao sucesso comercial do grupo, como o músico João Gordo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em 1984, enquanto o Brasil clamava por democracia e milhões de pessoas iam para as ruas atrás do movimento Diretas Já, a canção de um grupo de garotos adolescentes porto-riquenhos ganhava as rádios do país: “Não se reprima”. Esse grito por liberdade ecoou por entre uma multidão de meninas brasileiras, que logo estariam lotando estádios para ver de perto os seus ídolos. Mais de 40 anos depois, essa é a história contada por... “Não se reprima”, série documental de quatro episódios que o Canal Brasil exibe desde sexta-feira, em maratonas, e que está disponível no DOC Canal Brasil da Prime Video, o primeiro serviço de streaming dedicado exclusivamente a documentários brasileiros. Além de fãs, como a cantora Preta Gil (1974-2025, que contou de suas aventuras, ainda criança, usando da prerrogativa de ser filha de Gilberto Gil para perseguir — em vão — o grupo), falam também na série alguns dos ex-integrantes do Menudo. Caso de Johnny Lozada, de 58 anos. Ele estava na fundação dessa lenda da música pop (a primeira boy band do Terceiro Mundo a rivalizar em popularidade com os Beatles), em 1977, e saiu (como todos os integrantes, antes que a idade adulta desse os seus sinais mais graves) em 1984, pouco antes do estouro no Brasil. — Eu gostava muito de ver a expressão das fãs quando elas nos encontravam pela primeira vez. Algumas não conseguiam falar, outras começaram a chorar e algumas vinham nos abraçar e não nos soltavam mais — conta Johnny, ao GLOBO. — Muita gente pensa: “Nossa, os caras do Menudo, pegavam todo mundo!”. Mas esquecem que a gente era criança. Nunca entendi porque achavam que a gente era os Rolling Stones: sexo, drogas e rock’n’roll. Pelo amor de Deus, tínhamos de 10 a 14 anos! O ex-integrante do Menudo Johnny Lozada: em cena do documentário ‘Não se reprima’ e na época do grupo — Foto: Colagem de fotos de divulgação Hoje apresentador de um programa de TV matinal em Porto Rico, Johnny chegou a participar da reunião do Menudo, El Reencuentro, que durou de 1998 a 2013 (sem, no entanto, alguns dos membros que se tornariam famosos depois, como Ricky Martin e Robi Draco Rosa): — Fizemos três shows em 1998 e três em 1999, em Porto Rico, mas a partir daí, foram muitas turnês, por toda a América Latina e Estados Unidos. Na verdade, foram as pessoas que realmente quiseram que continuássemos trabalhando, porque, bem, às vezes dançar “Súbete a mi moto” machuca meus joelhos. Mas como as pessoas gostam tanto, a gente simplesmente diz: “Ok, vamos lá!” Fãs do Menudo aguardam integrantes do grupo no saguão do Aeroporto do Galeão (RJ), em 1984 — Foto: Alcyr Cavalcanti Hoje, Johnny Lozada segue cantando músicas do grupo com um trio ao lado dos ex-integrantes Ricky Meléndez e Miguel Cancel. Nenhum dos quais, por sinal, estará em Menudo 50, a turnê comemorativa do meio século de história do grupo, que começa em outubro, nos Estados Unidos. — A verdade é que eles nos abordaram, não entendemos que a proposta fosse justa e decidimos recusar. Mas desejamos-lhes muita sorte — alega Johnny, dizendo ter gostado de ver a si mesmo, interpretado por um ator, em “Súbete a mi moto”, série ficcional sobre o Menudo da Prime Video. — Foi divertido. Quer dizer, a verdade é que aquela era apenas a versão de uma pessoa, certo? Mas acho que os rapazes fizeram um trabalho maravilhoso... eles só poderiam ter caprichado mais nas perucas! Diretor de “Não se reprima” (que traz saudosas — e, algumas vezes, dramáticas cenas de arquivo da Menudomania no Brasil), Rafael Terpins foi atrás não só das meninas que viveram a idolatria pelo grupo na época e se tornaram mulheres, algumas das quais muito bem sucedidas na sociedade. Ele também deu voz a alguns dos meninos que detestavam o Menudo, como João Gordo, vocalista dos Ratos de Porão (que lembrou da lenda de que, se você girasse um disco do Menudo ao contrário, ouviria mensagens satânicas). — Meu primeiro movimento foi o de “cara, eu quero pegar um monte de mulher inteligente que participou disso”! Mas eu precisava de um contraponto também, né? — justifica-se. — A Mercedes Sosa e a Violeta Parra tentaram juntar a América Latina num canto só, mas quem conseguiu foi o Menudo, com uma visão 100% comercial.