Quem passa pelo Aquário de Santos, fechado para reforma desde junho de 2025, pode não saber que, bem ao lado, sob as águas do bairro Ponta da Praia, outra obra funciona, e sem parar: a dos geotubos submersos de proteção costeira. A iniciativa será ampliada para áreas vizinhas na cidade do litoral paulista.
Essas estruturas criam um trecho raso onde a onda sofre arrebentação precoce e perde força ao atingir a areia. Isso é particularmente útil durante os períodos de mar mais agitado (ressacas), quando a água chega a atravessar muretas e invadir o asfalto.
"Adotamos um geotecido de alta resistência contra o atrito com o mar. É um material que suporta grandes tensões", descreve o pesquisador Tiago Zenker Gireli, 41. "Enchemos esses sacos com areia da própria praia. Fica parecendo um travesseiro. Vamos justapondo os elementos para formar a barreira que a gente precisa."
Esse "laboratório submerso" atua contra processos erosivos na areia em uma época de eventos climáticos cada vez mais intensos e frequentes. "As praias vão ficando mais curtas e se perdendo", afirmou o pesquisador.
O projeto-piloto, com pouco mais de 500 metros de extensão, foi implantado na Ponta da Praia (altura do canal 6 da orla) após contrato assinado, em 2018, entre a Unicamp (Universidade de Campinas), onde Gireli é professor, e a Prefeitura de Santos.








