Aterro sanitário se tornou um símbolo do impacto ambiental da indústria da moda rápida 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Montanha de roupas descartadas no Deserto do Atacama, Chile — Foto: Reprodução / @PiensaPrensa via Skifi RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 17:37 Montanha de Roupas Descartadas no Atacama Reflete Impacto da Moda Rápida Uma montanha de 60 mil toneladas de roupas descartadas cresce no deserto do Atacama, Chile, visível do espaço, refletindo o impacto ambiental da moda rápida. A Europa é a maior exportadora de roupas descartadas, com 30% do total global. As peças, incluindo marcas renomadas, muitas vezes não são vendidas e acabam no aterro, gerando poluição. A justiça chilena busca soluções, mas a montanha continua a crescer. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma montanha com mais de 60 mil toneladas de roupas descartadas cresce a cada ano no deserto do Atacama, no norte do Chile, a ponto de poder ser vista do espaço, segundo o aplicativo SkyFi. O aterro sanitário, localizado próximo à cidade de Alto Hospício, tornou-se um dos símbolos mais marcantes do impacto ambiental da indústria da moda rápida e do consumo massivo de têxteis na Europa. Segundo dados publicados pela ONU em um relatório de 2024, a Europa é a principal exportadora mundial de roupas descartadas, representando 30% do total global, à frente do Reino Unido (16%) e dos Estados Unidos (15%). Dados do Parlamento Europeu indicam que cada residente do bloco compra, em média, 26 quilos de têxteis por ano e descarta cerca de 11 quilos, alguns dos quais acabam viajando milhares de quilômetros até o Chile. O processo começa com a exportação de roupas usadas para a Zona Franca de Iquique (Zofri), um dos principais centros de distribuição de roupas de segunda mão da América Latina. A intenção é revendê-las em diferentes países da região, mas quando as peças se desgastam, saem de moda ou simplesmente não encontram comprador, ninguém assume o custo de sua remoção. Veja fotos do 'cemitério' de roupas no deserto do Atacama 1 de 7 Vista das roupas usadas expostas no deserto do Atacama, no Chile — Foto: AFP 2 de 7 Vista das roupas usadas expostas no deserto do Atacama, no Chile — Foto: AFP X de 7 Publicidade 7 fotos 3 de 7 Roupas usadas ficam espalhadas no deserto do Atacama, no Chile — Foto: AFP 4 de 7 Vista das roupas usadas expostas no deserto do Atacama, no Chile — Foto: AFP X de 7 Publicidade 5 de 7 Vista das roupas usadas expostas no deserto do Atacama, no Chile — Foto: AFP 6 de 7 Vista das roupas usadas expostas no deserto do Atacama, no Chile — Foto: AFP X de 7 Publicidade 7 de 7 Vista das roupas usadas expostas no deserto do Atacama, no Chile — Foto: AFP Veja fotos do 'cemitério' de roupas no deserto do Atacama Investigações realizadas pela ONG Ekō e pelo coletivo chileno Desierto Vestido, citadas pelo Infobae, identificaram roupas de marcas internacionais como Zara, H&M, Adidas, Nike, Levi's, Tommy Hilfiger e Hugo Boss entre os itens descartados. Muitas ainda possuem as etiquetas originais, o que indica que algumas peças nunca foram vendidas. O problema vai além do impacto visual. Grande parte das roupas é feita com fibras sintéticas derivadas do petróleo e, quando queimadas ou degradadas, liberam compostos poluentes e microplásticos. A ONU descreveu essa situação como uma "emergência ambiental e social", enquanto organizações chilenas alertam que as emissões estão afetando a qualidade do ar e obrigando os moradores de Alto Hospício a permanecerem em suas casas durante os incêndios no aterro sanitário. — Temos a sensação de que nossa terra foi sacrificada. Somos o lixo do mundo — disse o prefeito de Alto Hospício, Patrício Ferreira, à AFP, em declarações divulgadas pelo Infobae. Por sua vez, Bastián Barría, cofundador da Desierto Vestido, descreveu o terreno após os incêndios como uma paisagem que "parece petróleo solidificado, mas na realidade são restos de roupas que derreteram com o fogo". A magnitude do problema levou a justiça chilena a intervir. O Primeiro Tribunal Ambiental de Antofagasta ordenou a elaboração de um plano de remediação ambiental de dez anos, constatando que o Estado não havia gerenciado adequadamente os resíduos, embora a decisão ainda esteja pendente de revisão pelo Supremo Tribunal. Enquanto isso, imagens de satélite mostram que a montanha continua a crescer ano após ano.