Se a influenciadora Virginia Fonseca foi anunciada como repórter especial da Copa do Mundo no Domingão com Huck da TV Globo, isso seria impensável há algumas Copas. Isso porque o ecossistema comunicacional passou por um "salto quântico" nos últimos 15 anos, afirma o jornalista e fundador da Play9, grande agência de influência digital, João Pedro Paes Leme.

Foi envolvendo influenciadores em projetos de jornalismo esportivo, inclusive, que João Pedro deu um pontapé no mercado de influência.

Em 2011, apostou no youtuber Felipe Neto, que já era um fenômeno devido ao canal "Não Faz Sentido", para um quadro humorístico no Esporte Espetacular. Paes Leme discorre sobre essa e outras mudanças na dinâmica da comunicação social no livro "A Era da Influência", lançado pela Sextante.

Em entrevista à Folha, o autor diz que já sentia a inquietação ao perceber, no início da década de 2010, que os influenciadores —na época chamados apenas de "youtubers"— despontavam como uma potência à parte porque tinham seus próprios canais de comunicação.

"O primeiro youtuber que existiu foi o Silvio Santos, porque ele fez o mesmo: trabalhou na Globo e, quando precisava de mais espaço e viu que não ia conseguir, abriu o próprio canal. Mas ele precisou de uma concessão governamental, né?", brinca. "E hoje é muito mais simples. Você leva exatamente cinco minutos para abrir sua conta no Instagram, no TikTok ou no YouTube."