Recuo do petróleo empurrou as ações da Petrobras para o vermelho e ajudou a ampliar as perdas do índice Painel de ações na B3 — Foto: Patricia Monteiro/Bloomberg Desde os primeiros minutos desta sexta-feira, o Ibovespa apresentou um desempenho negativo, ampliando as perdas registradas na véspera. O movimento registrado pela bolsa local foi na contramão dos demais ativos domésticos, como o dólar, que encerrou estável, e os juros futuros, que apresentaram queda firme. Após fechar acima dos US$ 100 por barril, o contrato futuro do tipo Brent para setembro devolveu a alta hoje e cedeu quase 4%. A queda da commodity empurrou as ações da Petrobras para o vermelho e ajudou a ampliar as perdas do índice. A performance negativa do Ibovespa foi intensificada ainda pela queda em bloco dos bancos, em um pregão de liquidez bastante reduzida. Após tocar 176.720 pontos, na máxima intradiária, o Ibovespa fechou na mínima do dia, aos 174.042 pontos, com queda de 1,52%. O volume financeiro negociado no índice foi de R$ 12,1 bilhões e de R$ 16,5 bilhões na B3 – montantes que estão bem abaixo da média diária registrada desde o começo do ano. Na semana, a principal referência acionária local subiu 0,19%. Entre as blue chips, as units do BTG Pactual lideraram as perdas, com queda de 2,90%. O movimento negativo foi acompanhado por outros bancos, que cederam em bloco. Ações de commodities também fecharam no vermelho: a Vale terminou em queda de 0,58%; já as PN da Petrobras recuaram 1,72%, enquanto as ON da petroleira perderam 2,36%, o que pode indicar venda do papel por parte de estrangeiros. Hoje, os preços do petróleo cederam quase 4% após o Brent encerrar ontem acima de US$ 100. Durante a manhã, a notícia de que o Paquistão está explorando um caminho para a retomada das negociações entre EUA e Irã sobre o fim da guerra, segundo três fontes ouvidas pela Reuters, ajudou o óleo bruto a ampliar as perdas. As maiores quedas no pregão, no entanto, ficaram para as PN da ISA Energia, que cederam 7,16%, ampliando as perdas recentes. Na contramão, ações cíclicas domésticas responderam pelas maiores altas com o recuo dos juros futuros, caso de Yduqs (3,05%), Telefônica Brasil (2,22%) e MRV (1,59%). Hoje, no entanto, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse, na Expert XP, que o BC não vai reagir tempestivamente a dados específicos, e que seguirá acompanhando as informações com a convicção de que o cenário atual demanda uma Selic em patamar restritivo por um período mais longo. Com isso, a despesa financeira de companhias deverá continuar a subir, tornando a situação de algumas empresas ainda mais delicada. Em meio a um cenário de Selic elevada, analistas da XP avaliam, em relatório, que os setores de construção de média/alta renda, juntamente com o de papel e celulose, além do varejo alimentar, devem ser os destaques negativos dessa temporada de balanços. Por outro lado, óleo e gás, telecomunicações, construtoras de baixa renda e utilidade pública devem surpreender positivamente. Após duas temporadas de resultados mais fracos, a prévia consolidada de balanços das 140 empresas cobertas pela XP indica que a receita líquida das companhias deve crescer 9,9% na comparação anual. A corretora também espera uma alta expressiva do Ebitda e do lucro líquido de 20,5% e 19,8%, respectivamente. Enquanto aqui o dia foi negativo, os principais índices americanos terminaram sem direção única: o S&P 500 fechou estável (+0,05%), o Dow Jones subiu 0,46%, e o Nasdaq perdeu 0,64%.
Ibovespa cede 1,52% sem apoio de blue chips, na contramão de outros ativos domésticos
Recuo do petróleo empurrou as ações da Petrobras para o vermelho e ajudou a ampliar as perdas do índice






