Durante muito tempo, a palavra “gordura” foi utilizada como se representasse uma única condição. No entanto, a ciência mostra que diferentes depósitos de tecido adiposo desempenham funções distintas no organismo. Enquanto alguns são fundamentais para a proteção de órgãos e para o metabolismo, outros estão associados ao aumento do risco cardiometabólico ou fazem parte de doenças específicas, como o lipedema.

“Essa diferenciação é importante porque nem toda gordura representa um problema de saúde, e reduzi-las ao mesmo conceito pode atrasar diagnósticos e gerar expectativas equivocadas sobre emagrecimento e tratamentos”, explica a endocrinologista Dra. Deborah Beranger, com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ).

Segundo a médica, a localização da gordura interfere diretamente em seu comportamento metabólico. “O tecido adiposo é um órgão metabolicamente ativo. Ele armazena energia, produz hormônios e libera diversas moléculas sinalizadoras, chamadas adipocinas, que participam da regulação do metabolismo, da resposta imunológica e de processos inflamatórios. O impacto dessas substâncias varia conforme a quantidade, a localização e as características desse tecido”, explica.