Gerando resumoO advogado Marcelo Gasparino se tornou pivô de crises por vazamento de informações sigilosas em três das maiores empresas com capital aberto do País, a Vale, a Eletrobras (atual Axia Energia) e a Petrobras. Após ser punido por “falta grave” e sair do conselho da elétrica em abril de 2025, o conselheiro se envolveu em problema similar na mineradora, que determinou seu afastamento após investigações e abriu rito para sua destituição. Na petroleira, o processo interno de investigação, realizado em 2023, não resultou em punições. Procurado, Gasparino não respondeu a pedido de entrevista.Leia tambémCrise no conselho da Vale termina com isolamento e queda do conselheiro Marcelo GasparinoNa noite de quarta-feira, 22, a Vale veio a público anunciar a decisão de afastamento, após um escritório externo independente apurar e confirmar o vazamento de informações. A contratação dessa investigação foi feita por decisão do próprio conselho de administração, que considerou a divulgação de uma reunião do colegiado em 19 de junho uma violação à política de Gestão de Desvios de Conduta da mineradora. Marcelo Gasparino, conselheiro da Vale: afastamento do colegiado após investigação / FOTO: TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO Foto: Tiago Queiroz/EstadãoPUBLICIDADEA decisão acompanhou recomendações do Comitê de Auditoria e Riscos e da Diretoria de Auditoria e Conformidade. O código de conduta da Vale classifica a proteção de dados internos e estratégicos sob pilares rígidos de conformidade (compliance). O documento impõe obrigações diretas a funcionários, diretores, fornecedores e membros da administração (o que inclui o conselho).Uma assembleia de acionistas será convocada para deliberar sobre o afastamento de Gasparino na Vale, mas o conselho já aprovou seu afastamento dos dois comitês de assessoramento dos quais ele participava: o Comitê de Indicação e Governança e o Comitê de Pessoas e Remuneração.Na eleição em que foi derrotado à presidência do conselho da Vale, realizada na quarta, 22, Gasparino recebeu votos de investidores institucionais globais e acionistas minoritários privados. O vencedor, Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, também recebeu votos de investidores globais, mas sobretudo do fundo de previdência Previ e de grandes acionistas como Mitsui e Bradespar. Apesar de não conhecer o caso, João Pinheiro Nogueira, ex-presidente do conselho do IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores) e ex-vice-presidente do conselho do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), diz que o código de conduta da entidade prevê que o dever de sigilo é um pilar inegociável de qualquer conselheiro. “O objetivo é evitar assimetria de informações para investidores”, diz ele.PublicidadeSaiba mais:Vale anuncia destituição de Gasparino do conselho de administração alegando vazamento de informaçõesEletrobras (ELET3; ELET6) adverte "falta grave" de conselheiro envolvendo o CEO da empresaQual é o perfil dos conselheiros que recebem acima de meio milhão no BrasilEm abril de 2025, Gasparino havia passado por um episódio que envolveu advertências por divulgação de informações sigilosas, quando era conselheiro da então Eletrobras. Ele chegou a receber três advertências, sendo que a última, considerada “infração grave”, fazia referência à divulgação de notícias sobre suposta articulação com membros do governo federal para derrubar o presidente da empresa e à exposição, em sua rede social, de prints da conversa com uma jornalista sobre o assunto. As imagens, segundo a Eletrobras, evidenciariam o compartilhamento de documentos da companhia. Ele tentava uma reeleição ao conselho e, como resultado, ficou de fora da lista de indicações.À época, Gasparino disse que tinha “compromisso com a transparência e a ética” e divulgou informações porque “queria trazer a realidade à tona”. PublicidadeAnteriormente, entre maio de junho de 2023, o então presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, determinou a abertura de uma investigação interna para apurar o vazamento de informações confidenciais discutidas em em reuniões do conselho de administração. Prates se irritou especialmente com a divulgação de supostas declarações relacionadas à exploração de petróleo na foz do Amazonas. Segundo fontes, Gasparino era um dos suspeitos de vazar informações, junto a outros membros do colegiado, conforme fontes.