PUBLICIDADE Levantamento mostra que, enquanto setores como café, combustíveis e aeronaves escaparam das taxações, segmentos como madeira e açúcar ficaram mais concentrados na tarifa de 37,5% 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Trump e Lula em encontro no ano passado — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 14:39 Exportações Brasileiras: Desafios e Tarifas Impostas pelos EUA O levantamento da Amcham revela que, após as medidas tarifárias dos EUA sob Trump, setores brasileiros enfrentam desafios para exportar. Madeira e açúcar são fortemente taxados em 37,5%, enquanto café, combustíveis e aeronaves estão isentos. Apesar das sobretaxas, 52,9% das exportações brasileiras permanecem livres de tarifas, destacando um impacto concentrado em setores específicos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou sua ofensiva tarifária, exportar para o mercado americano ficou mais complexo. No caso brasileiro, o segundo país mais taxado do mundo, os setores agora estão enquadrados em cinco regimes distintos de taxação, dependendo do produto e da investigação sob a qual está submetido. Novo levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) mostra que, enquanto segmentos como café, combustíveis e aeronaves escaparam das sobretaxas, outros, como madeira e açúcar ficaram mais concentrados na tarifa mais elevada, de 37,5%. A alíquota mais alta resulta da soma entre a tarifa de 25% - imposta na investigação comercial aberta exclusivamente contra o Brasil - com a sobretaxa de 12,5% aplicada na investigação sobre países que falharem em combater o trabalho forçado. Os setores mais afetados O setor de madeira e suas obras é um dos mais expostos à sobretaxa 37,5%. A Amcham calcula que, dos produtos brasileiros do setor de madeira vendidos aos Estados Unidos, 83,4% ficaram sujeitos à tarifa de 37,5%, enquanto apenas 6,1% delas permaneceram isentas. Outros 8,2% estão submetidos às tarifas da Seção 232, mecanismo criado durante o primeiro governo Trump que alega segurança nacional e que continua incidindo sobre alguns produtos considerados estratégicos. O ramo de açúcares e seus derivados também foi fortemente atingido. Cerca de 76,9% do que os EUA importaram desses produtos brasileiros agora estão sujeitos à tarifa de 37,5%, enquanto os 23,1% restantes pagarão apenas 25%. Nenhum ficou isento. O comércio de tabaco e de armas e munições também foi duramente afetado, com 100% do comércio com os EUA migrando para a tarifa máxima. Situação parecida ocorre com papel e cartão, que agora tem 99,7% das importações americanas na faixa de 37,5%. Já no segmento de obras de pedra e materiais semelhantes, o impacto foi dividido. Quase metade (47,8%) do ramo pagará a sobretaxa de 12,5%, enquanto 46,3% está sujeita à tarifa de 37,5%. Apenas 5,9% dos produtos escaparam das medidas. Entre os setores industriais, químicos orgânicos aparecem entre os mais atingidos, com 53,7% das vendas enquadradas na tarifa de 37,5%, e instrumentos de óptica e médico-cirúrgicos, dos quais 80,2% passaram para essa mesma faixa. Os setores isentos Produtos brasileiros considerados importantes para a pauta americana foram preservados. Combustíveis, aeronaves e café estão integralmente isentos das tarifas. No caso das carnes, 90,5% das exportações escaparam das sobretaxas, assim como 95,1% das preparações de frutas e hortaliças e 98,8% das preparações de carnes e pescados. Já setores em que os EUA preferem adotar a estratégia de protecionismo seguem sujeitos às tarifas da Seção 232, uma investigação mais antiga aberta pelo Departamento de Comércio americano. É o caso de veículos automóveis, em que 97,1% das importações com origem no Brasil estão enquadradas nesse regime; de alumínio e suas obras (95,3%); de obras de ferro ou aço (94,7%); de ferro fundido, ferro e aço (58,8%); e de máquinas e instrumentos mecânicos, em que 56,9% permanecem sujeitos às sobretaxas setoriais. Apesar do tarifaço, maioria das exportações ficou isenta Apesar do tarifaço, a maior parte do comércio bilateral acabou preservada. Segundo a Amcham, 52,9% das importações americanas de produtos brasileiros - o equivalente a US$ 22,3 bilhões -, estão livres das taxas, o que mostra que o impacto é mais concentrado. Outros US$ 10,7 bilhões (25,3%) serão tributados em 37,5%, enquanto US$ 7,4 bilhões (17,5%) permanecem enquadrados nas tarifas da Seção 232, que já incidiam sobre produtos como aço e alumínio. A parcela atingida pelos 12,5% soma US$ 1,5 bilhão (3,7%), e apenas US$ 300 milhões (0,7%) pagarão somente a alíquota de 25%.