Além de Moura Ribeiro, Marco Buzzi também é citado em apuração; ele afirma desconhecer o procedimento Ministro Marco Buzzi, do STJ — Foto: Divulgação/STJ O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que a Polícia Federal (PF) investigue o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no inquérito que investiga um esquema de venda de sentenças no tribunal. A informação foi antecipada pelo jornal O Globo. Ao analisar as informações reunidas em fases da Operação Sisamnes, os investigadores encontraram menções a familiares de Buzzi e, agora, verificam o material para saber se há indícios de participação do ministro e pessoas próximas. Em nota, a defesa do magistrado afirmou que não tem conhecimento da investigação ou que Buzzi seja investigado. Segundo o advogado Paulo Emílio Catta Preta, o ministro não tem relação com atividades profissionais de seus familiares e está impedindo de atuar em casos em que estejam envolvidos. “A defesa esclarece que o ministro Marco Buzzi não tem nenhuma relação com atividades profissional de seus familiares, ao contrário, é legalmente impedido de julgar casos que seus familiares tenham atuação. Também esclarece não ter conhecimento da investigação e nem sequer de que ali seja investigado”, escreveu o advogado em nota. Buzzi está afastado do STJ desde fevereiro de 2026, após duas mulheres apresentarem acusações de importunação e assédio sexual contra ele. O ministro é alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que investiga as acusações. O caso está marcado para ser julgado em 6 de agosto. As acusações foram feitas por uma jovem de 18 anos, filha de um casal de amigos do ministro, que relatou ter sido vítima de importunação sexual durante férias na casa de Buzzi, em Balneário Camboriú (SC). A outra é uma ex-funcionária do gabinete que relatou episódios de assédio sexual que teriam ocorrido quando ela trabalhava no STJ. A defesa de Buzzi nega as acusações e afirma que os relatos não possuem lastro em provas concretas. Ministros investigados Como noticiou o Valor na quinta-feira (23), Zanin também autorizou que a PF investigue o ministro do STJ Paulo Moura Ribeiro no mesmo caso, se tornando o primeiro magistrado formalmente investigado no suposto esquema de venda de sentenças. Os investigadores identificaram que o grupo criminoso alvo das apurações atuava de maneira semelhante em processos de outros gabinetes, dentre eles o do ministro Moura Ribeiro e, por isso, instauraram um inquérito, em 2025. Segundo a PF informou ao STF em relatório parcial em abril deste ano, ainda não foram identificados indícios de participação do ministro ou servidores do STJ no esquema, mas a possibilidade ainda não foi descartada e, por isso, solicitou a realização de diligências complementares para cruzar informações. Zanin, então, autorizou o levantamento de dados de parentes, pessoas próximas e do próprio ministro. Em nota, o ministro Moura Ribeiro afirmou que desconhece a existência de qualquer investigação sobre decisões proferidas pelo seu gabinete e que são “completamente improcedentes e infundadas quaisquer tentativas de associá-lo ao caso envolvendo a suposta venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ)”. Venda de sentenças Em maio, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o lobista Andreson Gonçalves, sua esposa, a advogada Mirian Ribeiro, dois ex-funcionários do STJ e mais cinco pessoas por suspeita de participação em um esquema de venda de decisões no tribunal. Na peça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, acusa os envolvidos dos crimes de corrupção, exploração de prestígio, formação de organização criminosa, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional. Segundo a denúncia, o grupo teria atuado de 2019 a 2023 interferindo no resultado de decisões judiciais em troca de pagamento e vantagens ilícitas. Os pagamentos foram referentes a quatro processos, dos quais em um deles o grupo criminoso teria vendido uma suposta influência que não se comprovou. A acusação também cita o vazamento de informações de um quinto processo, o que configura violação de sigilo funcional. Na ocasião, a defesa do lobista e da advogada reiterou a incompetência do STF para julgar o caso.
STF autoriza PF a investigar segundo ministro do STJ em caso de venda de sentenças
Além de Moura Ribeiro, Marco Buzzi também é citado em apuração; ele afirma desconhecer o procedimento











